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18/04/2012

O ÚTERO E A RODA SAGRADA

“TE DIGO ESSAS COISAS PARA QUE AS SAIBAS.
TOMA O QUE PODES USAR DELAS E DEISE O
RESTO PARA TRÁS”.
MAMA JULIA FARAN - CURNDEIRA PERUANA


Muito a Medicina tem estudado sobre a função uterina, mas somente segundo o lado anátomo-fisiológico, ficando ignorado totalmente o lado energético. Toda conduta feminina tem tido como base a natureza anatômica e fisiológica, especialmente de nível genital em geral e do útero em particular, quando não deveria ser negligenciado o lado físico energético, que, em verdade é mais importante porque na maioria das vezes é esse lado a causa básica dos problemas, não só ginecológico, mas também gerais e psíquicos.

Quando a mulher aceita seu corpo, quando ela considera o ciclo menstrual como sagrado, e o útero como o ninho da vida, esse órgão jamais endurece (tumores). Não são apenas toxinas que são eliminadas através do fluxo menstrual, mas também o conteúdo de registros de distintos estados emocionais que aderem às células uterinas.



Anteriormente citamos o útero como sendo o segundo órgão mais importante órgão no tocante aos registros celulares. Depois do cérebro, ele é o de maior capacidade de registro, muito embora isso somente seja conhecido dos xamães, e das pessoas que lidam com a energia sutil. As células nervosas têm função de comando, as do útero não o têm, mas, por outro lado, em termos de registro, elas são tão, ou mais efetivas que as nervosas .

A função de registro uterino é desconhecida pela ciência, mas nem por isso deixa de ser verdade. É nesse patamar que se efetiva grande parte do trabalho das “feiticeiras” .

Tal como acontece no cérebro, também no útero os registros ocorrem ordena damente, isto é, em obediência a uma localização específica para cada tipo de emoção. De um modo geral, se pode citar que são fundamentais os pontos situados nos 4 quadrantes. A iniciada sabe como trabalhar as emoções, como trabalhar no sentido da eliminação da energia negativa. Ela sabe precisamente onde cada tipo de coisa está localizada no útero.



TEmos visto o significado e a importância da Roda Sagrada – Roda de Cura, è um circulo construído com 36 pedras, cada uma delas simbolizando virtudes próprias. Através de uma Roda Sagrada ao nativo pode fazer uma viagem para dentro de si mesmo ou se identificar com o mundo que o cerca. A roda permite curar não apenas males físicos, mas todos os distúrbios psicológicos, permite a pessoa conhecer a si mesmo bem mais do que é possível através de métodos psicológicos. O Nativo, e em especial o Xamães, quando querem se identificar com o lado sagrado da natureza constroem um circulo de pedras em torno do qual ele caminha ou dança a fim de obterem conhecimentos das distintas situações das pessoas e dele próprio Nesse sentido a mulher leva grande vantagem sobre o homem, pois ela não precisa construir um circulo desde que ela já tem as emoções precisamente localizadas no útero e dispostas segundo o padrão da Roda de Cura. O homem, ou a mulher que não mais tenha útero necessita de um lugar fora de si para construir a Roda de Cura, e não é em qualquer lugar que ele pode efetivar a construção. Enquanto isso a mulher assinala no seu próprio útero, aliás ela não precisa construir, ele já existe naturalmente no útero pois nesse órgão as emoções e sentimentos já estão localizados. Por visualização a mulher pode dispor tudo segundo o modelo da Roda de Cura. Diz o Principio Hermético do Gênero: Assim como é em cima é também em baixo. Nesse caso queremos dizer que a roda construída é apenas uma estruturação de uma planta da natureza, e isso já existe no útero. Não se trata de uma construção aleatória, mas sim de uma copia da natureza. Assim como é em cima é em baixo, no útero há localizações especificas para as distintas classes de sentimentos. Sendo assim é viável a mulher precisar exatamente onde tal ou qual sentimento está situado e assim por visualização elimina-lo. Também descobrir o que não está bem, o que precisa ser eliminado (queimado), modificado (lavado), retirado (sepultado) ou distribuído (levado). Pela 36 pedras há um refinamento da analise, há um aprofundamento, que vai além daquele estabelecido pelos quadrantes apenas.

A mulher assim pode trabalhar com os sentimentos, o seu útero pode ser usado como se fosse uma daquelas bonecas do vodu. Ela localiza o objetivo visado, amplia mentalizando e aspirando, e elimina mentalizando e exalando.

Ela pode ser uma curandeira, como também uma megera, a decisão é dela.

O que estamos referindo marca o divisor entre o poder feminino e o masculino e foi precisamente isto o que levou o homem a estabelecer o machismo como estratégia defensiva.



JOSÉ LAÉRCIO DO EGITO




Antes do verbo era o ventre, a força criadora do universo e da vida. O que seriamos nós sem o ventre? Sendo que é através dele que ganhamos à vida. Ele é o centro da existência e da criatividade humana por excelência.
pinião de um homem sobre o corpo feminino - por Paulo Coelho


Não importa o quanto pesa. É fascinante tocar, abraçar e acariciar o corpo de uma mulher. Saber seu peso não nos proporciona nenhuma emoção. Não temos a menor idéia de qual seja seu manequim. Nossa avaliação é visual, isso quer dizer, se tem forma de guitarra... está bem. Não nos importa quanto medem em centímetros - é uma questão de proporções, não de medidas. As proporções ideais do corpo de uma mulher são: curvilíneas, cheinhas, femininas...
Essa classe de corpo que, sem dúvida, se nota numa fração de segundo. As magrinhas que desfilam nas passarelas, seguem a tendência desenhada por estilistas que, diga-se de passagem, são todos gays e odeiam as mulheres e com elas competem. Suas modas são retas e sem formas e agridem o corpo que eles odeiam porque não podem tê-los.
Não há beleza mais irresistível na mulher do que a feminilidade e a doçura. A elegância e o bom trato, são equivalentes a mil viagras. A maquiagem foi inventada para que as mulheres a usem. Usem! Para andar de cara lavada, basta a nossa. Os cabelos, quanto mais tratados, melhor.
As saias foram inventadas para mostrar suas magníficas pernas... Porque razão as cobrem com calças longas? Para que as confundam conosco? Uma onda é uma onda, as cadeiras são cadeiras e pronto. Se a natureza lhes deu estas formas curvilíneas, foi por alguma razão e eu reitero: nós gostamos assim. Ocultar essas formas, é como ter o melhor sofá embalado no sótão.
É essa a lei da natureza... que todo aquele que se casa com uma modelo magra, anoréxica, bulêmica e nervosa logo procura uma amante cheinha, simpática, tranqüila e cheia de saúde. Entendam de uma vez! Tratem de agradar a nós e não a vocês. porque, nunca terão uma referência objetiva, do quanto são lindas, dita por uma mulher.
Nenhuma mulher vai reconhecer jamais, diante de um homem, com sinceridade, que outra mulher é linda.
As jovens são lindas... mas as de 40 para cima, são verdadeiros pratos fortes. Por tantas delas somos capazes de atravessar o atlântico a nado.
O corpo muda... cresce. Não podem pensar, sem ficarem psicóticas que podem entrar no mesmo vestido que usavam aos 18. Entretanto uma mulher de 45, na qual entre na roupa que usou aos 18 anos, ou tem problemas de desenvolvimento ou está se auto-destruindo.
Nós gostamos das mulheres que sabem conduzir sua vida com equilíbrio e sabem controlar sua natural tendência a culpas. Ou seja, aquela que quando tem que comer, come com vontade (a dieta virá em setembro, não antes; quando tem que fazer dieta, faz dieta com vontade (sem sabotagem e sem sofrer); quando tem que ter intimidade com o parceiro, tem com vontade; quando tem que comprar algo que goste, compra; quando tem que economizar, economiza.
Algumas linhas no rosto, algumas cicatrizes no ventre, algumas marcas de estrias não lhes tira a beleza. São feridas de guerra, testemunhas de que fizeram algo em suas vidas, não tiveram anos 'em formol' nem em spa... viveram!
O corpo da mulher é a prova de que Deus existe.
É o sagrado recinto da gestação de todos os homens, onde foram alimentados, ninados e nós, sem querer, as enchemos de estrias, de cesárias e demais coisas que tiveram que acontecer para estarmos vivos.
Cuidem-no! Cuidem-se! Amem-se!
A beleza é tudo isto.

16/04/2012

A NATUREZA TRINA DA MULHER


A natureza da mulher é cíclica e bem amparada de seus desejos pessoais e ela experimenta a vida através desta natureza sempre mutável. As mudanças mais marcantes de seu comportamento acontecem em relação aos seus sentimentos. Tudo pode estar auspicioso e alegre em certo momento, mas passado pouco tempo poderá estar melancólico e deprimente. Desta forma, sua percepção subjetiva da vida é projetada para o mundo exterior e a mulher pode sentir a mudança cíclica como uma qualidade da própria vida.
No curso de um ciclo completo, que corresponde à revolução lunar, a energia da mulher cresce, brilha esplendorosa e volta a minguar totalmente. Essas mudanças afetam-na tanto na vida física como sexualmente e também psiquicamente. Na mulher, a vida tem fluxo e refluxo que é dependente de seu ritmo interno. O ir e vir da energia, quando perfeitamente compreendido pela mulher, pode presenteá-la com uma oportunidade de trabalho ou uma aventura espiritual, a qual ela espera há muito tempo. Se a Lua lhe for favorável, ela poderá ter uma vida mais livre e cheia de oportunidades, mas se a Lua estiver desfavorável, pode perder sua chance, sendo incapaz de recuperá-la. Não é de admirar que nossos ancestrais chamassem a Lua de "Deusa do Destino", pois realmente é fato que ela influência no destino da mulher, assim como dos homens também, embora inconscientemente.
No mundo patriarcal, as mulheres descuidaram-se de seus ritmos para tornarem-se competitivas e o mais próximas possíveis dos homens. Caíram, sem perceber, sob o domínio do masculino interior, perdendo o contato com seu próprio instinto feminino, passando a viver somente através das qualidades masculinos do "animus". Entretanto, negar sua identidade é constituir-se em um ser sem alma. Não é incorporando os valores masculinos ou tentando imitar seu comportamento que terá reconhecido o seu valor. A mulher deve ser reconhecida também, pela sua dimensão feminina e não pela sua dissociação da sua realidade psíquica.

A MULHER LUA CRESCENTE

A primeira face da Deusa é a Donzela, ou Virgem e que corresponde a Lua Crescente. Representa a juventude, a vitalidade, a antecipação da vida, o início da criação, o potencial de crescimento e a semente do "vir a ser".
A Lua Crescente, portanto, liga-se a "virgem", a mulher solteira e sugere inúmeras promessas ocultas de crescimento, de riqueza, de criatividade e de prazer. Esta Lua nos faz voar à um mundo de sonhos e devaneios. Nos tornamos seres alados que levitam num céu estrelado de possibilidades, onde o impossível torna-se realidade. É o verdadeiro despertar de Eros, do amor, da vida que não nos impõe nenhum obstáculo. Neste mundo onde tudo é possível a mulher personifica-se como a eterna amante, a musa inspiradora que concretiza a eterna felicidade.
A mulher na Lua Crescente consegue expor sua feminilidade com muita espontaneidade. Ela é a personificação da deusa em sua manifestação instintiva e natural, buscando sua essência. Ela é rica em fertilidade e possibilidades, sem limites. Precisa de todo o espaço para expandir-se e manifestar-se. É erva que se alastra e cobre tudo, pois ela é livre, animal sem dono, que não admite ficar presa à ninguém. Dona de si mesma, ela se rege, se governa por seus princípios internos, muitas vezes à custa de muito sofrimento, pois toda liberdade tem seu preço.
Este princípio feminino é representado por várias deusas e uma delas é Àrtemis, a arqueira-virgem e amazona infalível, que corria livre pelos campos e de coração solitário. Ela é arquétipo da feminilidade mais pura e primitiva. Ela santifica a solidão e a vida natural. E, é ela que garante a nossa resistência a domesticação. Outra deusa da Lua Crescente é Inana, uma antiga entidade suméria que é portadora de qualidades lunares femininas. Em época de mudanças, esta deusa sempre está presente e pode ser invocada.
As mulheres que incorporam os atributos da Lua Crescente, são muito sensuais, verdadeiras Afrodites contemporâneas e conhecedoras da influência de seus poderes. Sentem orgulho de seu sexo e possuem uma vitalidade rara, somada a uma ansiedade de ampliar os horizontes de seu psiquismo. Jamais se adaptam à limites sociais e culturais, pois seu desejo de expansão é incontrolável. Estão sempre mudando, são mulheres inquietas e instáveis. Como a Lua Crescente, revolucionam, criam e transformam constantemente. São difíceis de serem civilizadas, pois como Àrtemis, possuem um amor intenso pela liberdade, pela independência e autonomia. Possuem temperamento estouvado e aprendem muito cedo a engolir suas lágrimas e planejar vinganças pelas humilhações que sofrem, devolvendo na medida certa o que receberam.
Para um homem relacionar-se com uma mulher-lua-crescente, pode ser um desafio e tanto. Igualmente, a mulher que penetrar fundo nesse lado de sua natureza artemisia, precisará reconhecer o poder primitivo de sua sanguinolência e o efeito que pode ter sobre o homem. A Lua Crescente nos põe em contato com todos esses aspectos da natureza feminina.

A MULHER LUA CHEIA

O aspecto de Mãe da Deusa sempre foi o mais acessível para que a humanidade o reconhecesse, invocasse e o identificasse. A Lua Cheia está associada à imagem maternal da Deusa, à mulher em toda a sua plenitude, ao potencial pleno da força vital. Ela corresponde ao crescimento e amadurecimento de todas as coisas, ao ponto culminante de todos os ciclos, à semente germinada e à plenitude do caldeirão.
Na Lua Cheia entramos em outra dimensão do feminino, aqui o instinto se coloca a serviço da criação e da humanização. Esta é a fase lunar que é iluminada pelo Sol em sua totalidade, indicando mais clareza de consciência e um melhor relacionamento entre masculino e feminino, o que propicia a criação.
A Lua Cheia é a Lua Grávida de criatividade, de riqueza e da realização do próprio crescimento. É a imagem da Mãe, com o poder divino de carregar uma nova vida em seu ventre. É ela que gera, promove o crescimento e dá o nascimento. Ela é a deusa da maternidade, que traz consigo a fertilidade para a terra e para os homens.
A Lua Cheia nos conecta com a terra, nos coloca em contato com os valores terrenos, é o próprio amor realizado. Esta Lua-Mãe, foi expressa mitológicamente pelos gregos como Deméter com sua prodigiosa energia para nutrir e acalentar e sua dedicação desinteressada para com os filhos e a família. Esta deusa-mãe também é visualizada em Cibele, Ísis, em Astarte e na Virgem Maria. Todas aparecem sempre com o filho, o que pressupõe uma capacidade de relacionamento e reprodução realizada. O filho representa o nascimento, o Logos no feminino. A Lua, deste modo, relaciona-se com o mundo de maneira mais humana, através de seu filho. Estabelece-se assim, um contato mais íntimo entre o mundo interno e o externo, do divino com o terreno e do espiritual com o material.
A maternidade em si já é uma doação, mas também associa-se à capacidade de sacrifício. Todas as deusas citadas, têm em comum o fato de terem um filho que morre e depois ressuscita. O filho seria a semente que morre, se decompõe na terra, para trazer em seguida a renovação da vida. Mas, enquanto não chega a hora do sacrifício, o filho reina junto com a Mãe-Lua e é controlado por ela.
A mulher regida pela Lua Cheia é mais confiável, pois se assemelha à Mãe. Ela é acolhedora, mais domesticada e sempre se coloca à disposição e proteção do outro. Esta mulher tem os pés no chão e seus mistérios não são tão ocultos, pois ela se revela mais claramente. Ela acolhe a criação, que é a união do masculino com o feminino. Mas esta mulher tem uma preocupação exagerada com a segurança, o que impede o seu aprofundamento em seus relacionamentos, pois o contato mais íntimo, pode constituir-se em uma ameaça. Desenvolve então, um controle fora do comum e nada pode pegá-la desprevenida. Aqui desenvolve-se um impedimento a sua criatividade, pois seus passos são calculados, evitando confrontar-se com o desconhecido, que podem lhe proporcionar surpresas desagradáveis.
A mulher-lua-cheia é a esposa e mãe perfeita, desfaz-se em eficiência e cuidados, mas falta-lhe a paixão e a inquietação.

A MULHER LUA MINGUANTE

O terceiro aspecto da Deusa, a Anciã, corresponde à fase da Lua Minguante, sendo o menos compreendido e o mais temido.
A Lua Minguante define-se no acaso e na velhice. É aquela que encerra em si a sabedoria e os segredos nunca revelados. Está associada a velha bruxa, ao deteriorar da força vital, ao envelhecimento, assim como, aos poderes de destruição e da morte, à destruição do impulso de Eros.
A mulher que é arquetípicamente regida pela Lua Minguante é misteriosa e por vezes indefinível. Parece possuir um potencial para realização de algo que é difícil definir com exatidão. Possui virtualidades pressentidas, mas nem sempre realizadas. Ela mesma não se define de maneira consciente e clara. Possui também uma certa dificuldade em lidar com os aspectos da vida consciente. Esta é a mulher que vive no "mundo da lua". Está sempre descobrindo novas possibilidades, mas tem certa dificuldade em direcioná-las e nunca consegue finalizar o que começou.
Como está mais próxima e mantém constante contato com as fontes inconscientes da fertilidade, aparenta estar realizando algo, mas que pode nunca concretizar. É sempre suscetível a perder-se em sonhos e devaneios em função da dificuldade que tem em lidar com o concreto e o real. O seu maior obstáculo é o tempo presente, pois está sempre voltando ao passado, revendo tudo o que foi capaz de realizar, ou lamentando o que deixou de fazer. Ela está sempre distante do presente e por isso torna-se fria e distante dos outros, devido ao seu excesso de auto-referência.
A sua criatividade, se não submetida ao controle do ego consciente, pode assumir uma forma caótica e desordenada. A sua maior dificuldade está em mobilizar e dirigir essa energia. Possui ela, todo o potencial para a criação por seu acesso fácil às fontes criadoras lunares, mas necessita compreender e separar a mistura orobórica criativa, a fazer a ordenação do caos, para que ele se transforme num cosmo criativo
A mulher Lua Minguante possui uma energia muito forte, mas ela pode manifestar-se de maneira tanto construtiva, como destrutiva, dependendo da forma como trabalha o seu consciente. A necessidade de mudança também está sempre determinando seu comportamento. O que mais importa para ela é o próprio processo do que o objetivo final, o caminho não tem tanta importância, mas premente é a necessidade de fazer a passagem.
A introspecção ao mundo interior ocorre facilmente para a mulher regida pela lua minguante. A sua maior dificuldade está no fato de tornar-se produtiva e realizar toda a fertilidade encontrada. Se não conseguir direcionar essa vitalidade, objetivando-a e encaminhando-a para a realização criativa, toda essa riqueza pode se tornar inútil.
A Lua Minguante sempre serviu como vaso adequado para a projeção de todo o lado sombrio, tanto do homem como da mulher. Aqui penetra-se no reino de Hécate e Lilith e tantas outras deusas que apresentam aspecto sombrio, mas que pode no final nos trazer a iluminação. Talvez torne-se necessário para a mulher fazer um acordo com estas deusas, para que elas a presenteiem com a possibilidade de um enriquecimento de personalidade, permitindo a sua expressão de uma forma mais humanizada e não tão instintiva. Deste modo, as dimensões do instinto poderão ter uma via mais integrada, em que pode haver a participação de novas forças energéticas.
É observando e reconhecendo os movimentos da Lua no céu e integrando as suas três fases, que poderemos nos alinhar e sintonizar com o fluxo do tempo e com os ritmos naturais. Nos utilizando dos poderes mágicos da Lua e reverenciando as Deusas ligadas a ela, criaremos condições para melhorar e transformar nossa realidade, harmonizando-nos e vivendo de forma mais equilibrada, plena e feliz.
por Ana Paula Malagueta Gondim

O universo feminino é uma teia de deusas, mitos, mudanças e acima de tudo, um fluxo inesgotável de ciclos e transformações. Como as fases da lua, as mulheres estão em constante renovação. Desde a menarca até a menopausa, há um mundo desconhecido a ser descoberto e acima de tudo a ser compreendido. Muito do que vivemos e sentimos como mulheres é mal entendido e muitas vezes, mal-interpretado pelos outros e até mesmo por nós mesmas.


A conscientização de que precisamos nos recolher em uma ‘concha’ simbólica de tempos em tempos, é o ponto de partida inicial para aprender a se ouvir e acima de tudo a se respeitar. Criando assim uma rede interna e externa de apoio e entendimento. De esclarecimentos e aceitação. Acolher e abraçar todas as nossas fases. Entender as mudanças e aceitá-las como parte inevitável da maravilha que é ser mulher. Conhecer o desconhecido útero, não somente para as que receberam à benção da maternidade, mas todas, sem exceção. Entender nossos hormônios, mudanças internas e nos inserir no mundo atual – excessivamente yang (masculino), de forma a não perdermos nossa essência yin (feminina).

Que maravilha não seria, se todas pudéssemos abraçar o nosso lado frágil e descobri que é este mesmo lado, frágil e feminino, é que faz de nós mulheres seres fortes e cheios de potencialidades mal descobertas.

Possamos então, mergulhar dentro de nós, agora e sempre que nosso corpo nos avisar essa necessidade. Os sinais de desequilíbrio ou a aparição de um sintoma é o aviso de que algo não vem indo bem. Talvez recentemente, talvez há tempos. O importante é olhar. Dar-se esse olhar. Permitir o desabrochar dessa nova mulher, que jazia escondida por detrás de uma vida desconectada e fragmentada.

Uma vida perfumada. Uma vida que muito mais do que resolver um desconforto apenas temporariamente, nos permite mergulhar em nossas profundezas e conhecer nossas sombras. Lidar com arquétipos que rondam às mulheres há séculos e restituir nossa individualidade. Nossa confiança e voz interior.

A nossa intuição só irá se fortalecer com a utilização de meios naturais (yoga, dança, massagem, florais, aromas) para o restabelecimento da nossa comunicação interior perdida. Nosso corpo se fortalecerá. A alegria de viver e a plenitude de uma vida mais equilibrada e feminina irão resgatar a tão perdida paz e plenitude, que nos é de direito, por sermos seres iluminados e filhos da Unidade, que é o Supremo.

Juntas, mergulharemos no infinito e com o apoio devido, encontraremos formas naturais de lidar com as diferentes nuances e avisos que nossos corpo-mente-espírito nos enviarem de mensagens, quando o desequilíbrio fizer-se presente.

Iniciemos então, nossa bela caminhada por um dos jardins mais floridos de toda existência. Que o jardim da nossa alma possa se transformar em um jardim do Éden, e que nossas vidas possam exalar os cheiros e nos transformar em agentes de transformação. E que nosso crescimento e mudanças, produzam lindos frutos em todos ao nosso redor.

Conhecendo seu útero

Na tradição taoísta, o útero é chamado de palácio celestial e, para a mulher pode ser a porta para o paraíso ou para o inferno. Na tradição chinesa, é chamado de “O mar de sangue”, “A câmara de sangue”, “O palácio protegido” ou “O palácio celestial”. O útero é a parte principal do corpo da mulher, na qual as emoções negativas tendem a se concentrar e ficar armazenadas durante anos, prejudicando todo o organismo. (Piontek, Maitreyi. 1998)

Hoje, quando pergunto às mulheres se já pararam algum minuto de suas vidas e sentiram os seus úteros, muitas me olham com choque ou até certo divertimento. Àquelas que já foram mães e passaram pela experiência do parto normal ou natural, essas sim, sentiram seus úteros em sua totalidade. Às que nunca passaram por essa experiência, talvez nunca tenha ouvido seus úteros. O pior, é que para muitas, só vão descobrir o quanto seu útero é triste e infeliz quando algo ‘físico’ se mostra. Muitas mulheres só vão descobrir que algo errado vem acontecendo com seu útero e sua feminilidade quando descobrem um mioma, um câncer, uma endometriose, ou o que mais cresce nos tempos modernos, a dificuldade em conceber.

Primeiro, precisa-se reconhecer o fato que o útero é um órgão de grande sensibilidade. E, como Maitreyi sabiamente aponta em Desvendando o Poder Oculto da Sexualidade Feminina, a sensualidade é a condição natural do útero, que pode ser um lugar de grande aconchego e segurança. Mas, se não estiver bem, vibrando com vida, pode ser uma ameaça para as mulheres. Podemos nos desconectar dele e, inconscientemente, fazer o possível para não entrarmos em contato com ele. Nesse nível baixo de energia, o útero se torna um vácuo para o coletivo, absorvendo o negativo como uma esponja. Fica completamente carregado com todos os tipos de sensações e emoções desagradáveis e indefinidas.

Depois, precisa-se criar um espaço, um momento para se sentar e então, sentir seu útero. Entrar em contato com a história impregnada em cada célula. E, acima de tudo, procurar entender todos os sintomas já vividos, principalmente em sua sexualidade. Sejam eles novos ou antigos. Acima de tudo, acolhendo-se e perdoando-se, promovendo assim a verdadeira cura, que vem da reconciliação da mulher com esse lugar tão importante e especial e com sua feminilidade sagrada.