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23/04/2012

Abençoado Templo do Corpo Feminino


Abençôado modo feminino de ser...
Sagrada mulher...
Que possamos sentir o amor e o prazer divino oceânica
Que possamos encontrar a nossa luz e nossa sombra
Que possamos ser inteiras
Que possamos perdoar a nós mesmos e os outros
Que o nosso desejo manifesto esforço
Podemos saber a nossa respiração como o conforto
Que possamos aceitar o que nós criamos
Que possamos cultivar nossos próprios sonhos
Que possamos nos lembrar de encher nossa taça
e dar somente quando estamos transbordando
Que possamos sonhar grandes sonhos
Que possamos encontrar doçura e bondade como poderoso remédio
Vivamos em casa dentro de nós mesmos
Que possamos estar em paz
aqui e agora onde estamos
Que possamos aprender com nossos ciclos e estações.
Que possamos abraçar o que é verdade.
Que possamos encontrar coragem.
Que possamos liberar o que não nos serve mais.
Que o nosso coração seja livre. Que o nosso amor fluia generosamente.
Que possamos dançar a maneira que nós queremos.
Que possamos cantar as nossas próprias canções, e escrever nossas próprias histórias.
Que possamos ser valorizados e impulsionados por nossas visões.
Que o fluxo divino através de nós para que este mundo é um lugar mais bonito.
Nós todos temos um dom de dar, ajudar-nos a dar-lhe livremente.
abençoe deusa divina sagrado.
Eu amo você, eu acredito em você e estou aqui para você.
Deixa respirar profundamente e exalem completamente.
Vamos dançar.
Vamos ser ainda.
Deixa fluir e crescer.
Deixar ir, nós fluxo
Sabemos
Canção das mulheres

Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.

Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.

Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.

Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.

Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.

Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.

Que o outro sinta quanto me dóia idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida.

Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ''Olha que estou tendo muita paciência com você!''

Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.

Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.

Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.

Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher.
Lya Luft

21/04/2012

A mulher de vestido

Que me perdoem as feministas: ser feminina é fundamental. Ser feminina é deixar os cabelos longos soltos ao sabor do vento, para que por entre eles sopre desautorizadamente, ardendo os homens de inveja pelo entrelaçamento envolvente. Ser feminina é sorrir com os lábios pintados de batom beijado narcisisticamente na frente do espelho, num belo ritual de ajuste e preparação para o mundo. Ser feminina é sorrir com os mesmos lábios de batom, agora desbotados por outros em beijos autorizados ou roubados, permitidos ou proibidos, reais ou imaginários. Ser feminina é realçar pela pintura leve e pelos adereços da boa vaidade a perfeição natural da mulher, que a coloca sempre em destaque, fazendo menor até mesmo a admirável arte de um Miró ou um de Botero.

Ser feminina é dizer sem pronunciar. É gritar silente e silenciar em voz alta. Ser feminina é significar por múltiplas linguagens: olhares, sorrisos, abraços, lábios, pernas. Ser feminina é dar vazão a um flerte que surge do nada, sem razão de ser, numa improbabilidade levada a efeito por um bem-humorado destino, que por puro diletantismo cruza na geografia dos fatos a estrada da mulher no caminho do homem e vice-versa. Ser feminina é constatar sem culpas que a vida chega e não pede licença. Apenas chega, entra, senta à mesa, compartilha o pão da ceia e dorme no sofá.

Ser feminina é pensar como mulher. Desimitar os homens com seus dispensáveis modelos, seus inúteis paradigmas, seus inservíveis padrões. É usar o sexto sentido para escolher o caminho, valendo-se da intuição, esse toque de gênio de Deus em seu retoque final no mais gracioso dos seres. Ser feminina é jurar juras e chorar lágrimas de amor; é reclamar quando não compreender seus porquês e quando vir ignorados os seus mais íntimos desejos, as suas menores – mas não menos importantes – aspirações da vida a dois, eternas ou efêmeras. Mas ser feminina é também suspirar de exultação e plenitude quando o que agrada e deseja bate à sua porta sem avisar, convidando-a a reviver seus sonhos construídos na infância dos contos. Suas quimeras antigas, falsamente escondidas pela adulteza que veio, despertarão levemente como a bela adormecida, desde que se gire a chave certa no momento perfeito, abrindo a porta de um mundo novo de faz-de-conta real.

Ser feminina é ser racional e passional. Racional com as responsabilidades; passional com as irresponsabilidades. É, vez por outra, trancar a madre em si na masmorra mais alta da torre mais alta do monte mais alto que existe e jogar a chave fora, no fosso mais fundo dos jacarés mais violentos, de onde ninguém ousará tentar regatá-la. Ser feminina é acorrentar a mulher de limites e alforriar a louca do calabouço, habitante de seus secretos e inenarráveis desejos, quereres e tentações. A louca na mulher feminina anseia sair por aí, conhecer novos campos, sentir novos cheiros, viver nova vida, gozar novos prazeres, singrando novos mares como se fosse uma nau desprendida da fragata dos audazes navegadores do Séc. XVI. Madre e louca: o chaveamento da dualidade constitutiva da mulher é o segredo mais bem guardado do universo. Todos os homens o almejam, raros felizes sucedem em encontrá-lo, raríssimos sábios o guardam para si. Para a mulher, diferentemente do que se diz, saber guardar segredo é exercitar a feminilidade, aquilo que sempre será só seu e de mais ninguém. Para o homem sábio, guardar segredo é viver a sua porção mulher, quase sempre resguardada numa subutilização de uma fantástica ferramenta de compreensão de mundo, de condução da vida. Guardar segredo é ser mulher.

Ser feminina é ser menina com o Sol e mulher com a Lua. É morder os lábios nos abraços espremidos. De dia, os seus. À noite, os nossos. É, vez por outra, trocar o dia pela noite. Ser feminina é vitimar o homem com seu imbatível exército de desejo e, ao mesmo tempo em que conquista, se deixar seduzir e ser invadida pelo homem eleito, numa batalha incomum em que ganham os dois lados. Ser feminina é varrer o rosto masculino com seus cabelos em movimentos, imitando as ondas do mar, no vai e vem ritmado de corpos transpirantes. Ser feminina é, com os mesmos cabelos que os ventos beijam, sufocar deliberadamente a face masculina, causando inveja ao próprio vento e ao mundo, se eles, pobres ignorantes, pudessem saber que um dia que a cena existiu.

Ser feminina é não ter medo do prazer. Seja o de uma casquinha de chocolate gelado derretendo na mão ou o de um corpo suado derretendo na cama. Seja o de um toque comportado à luz do dia com mil testemunhas ou o de um roçar atrevido ao testemunho somente da meia-luz e do querer mútuo. Ser feminina é cantar. Cantar no chuveiro, no carro, no banho, no amor. É fazer do som que sai de sua boca a trilha sonora de seus momentos, numa alegria escandalosa de deliciosos suspiros cadenciados, regidos pelos movimentos não das mãos de um maestro, mas de corpos bailarinos do mais belo dos balés da natureza. Ser feminina é amar ao som das Bachianas de Villa-Lobos. Viajar com elas à placidez do encontro consigo, oferecida pelo momento da presença do seu escolhido aconchegado no calor de seu corpo.

Ser feminina é usar vestidos. A mulher num vestido mostra ao mundo seu estado mais feminino, depois, claro, do seu estado natural. São nos vestidos que as mulheres autenticam sua feminilidade, por isso os escolhem com capricho em ocasiões especiais. Nada contra jeans e blusas brancas com mangas ou com alças de laços. Mas quando se veste num vestido, a mulher transborda feminilidade, encharcando os olhos dos homens de uma querência vulcânica. Ser feminina é vestir um vestido florido, daqueles cujos panos que acortinam seu corpo dançam ao sopro do ar, nele deixando uma pergunta intrigante: onde terminam as flores e onde começa a mulher? Saber trajar um vestido é uma arte da feminilidade; saber despi-lo, uma arte da masculinidade. Conjugar o encadeamento das duas coisas é uma arte do destino atilado.

Foi uma mulher num vestido a inspiração desse texto. Ela inspirou outras coisas não ditas, interditas e interditadas. Pobres dos homens que não enxergam o sublime na mulher de vestido e que ignoram, por inocência ou incapacidade, seu poder transformador sobre nós.



S.



Sérgio Augusto Freire de Souza
NÃO, NÃO ERAM "PROSTITUTAS SAGRADAS",
MAS MULHERES CONSAGRADAS!

A Espiritualidade, em geral e como vimos no texto em baixo, mesmo abordada por um autor de grande integridade, pode falar da Deusa como Nossa Senhora quando muito, Maria, a Mãe imaculada…e Maria Madalena como prostituta…arrependida, mas esse aspecto do feminino cindido é-lhes ainda alheio...Eles não conseguem perceber essa cisão da mulher em duas e quase todos eles vêm a prostituição como uma realidade necessária e endémica – e é-o, ao sistema falocrático e patriarcal e não a natureza da mulher - nem perceber que aconteceu uma disfunção do ser mulher inteira ao separar-se a maternidade da sexualidade e portanto isso continua um certo tabu. Inclusive continuam a falar da "Prostitutas Sagradas" referindo-se erroneamente às sacerdotisas da Deusa Mãe que na antiguidade eram servas da Deusa e estavam ao seu serviço e não se vendiam, sendo as iniciadoras do homem ao amor terreno e divino, cumprindo uma função também sagrada, sendo uma dádiva da Deusa aos homens e não um comércio como hoje nos querem fazer crer a partir de uma visão deturpada pelo catolicismo e a mentalidade preconceituosa e misógina contra a sexualidade e as mulheres dentro da Igreja de Roma e outras religiões como a muçulmana.

Nessa antiguidade remota e tão mal compreendida, talvez matriarcal, ou pelo menos em que a função do feminino da deusa eram DIGNIFICADAS, as jovens das classes mais elevadas e não só, depois de aprenderem elas mesmas com as outras sacerdotisas mais velhas as artes de amar, cumpriam um tempo de serviço nos templos para serem iniciadoras dos homens ao amor da Deusa e da ligação da Terra ao Cosmos, para que estes tivessem em si a consciência da sua manifestação plena. Os homens por sua vez deveriam fazer uma OFERENDA AO TEMPLO em sinal de retribuição á Deusa, uma oferta simbólica, e não como uma forma de pagamento à mulher e ao Templo.

Houve mais tarde um aproveitamento por parte do sistema patriarcal, corrompendo a tradição milenar, que se aproveitaram dessas mulheres e templos, como na Índia, com as invasões arianas, e começou por todo o mundo a haver lugares de prostituição chamados lupanares ou bordeis nos nossos dias. Aconteceu também no Japão e na China com as gueixas etc. e consequentemente a subordinação e exploração sexual das mulheres começou aí, não sendo mais uma oferenda à Deusa, mas uma venda aos homens.

Assim muitas vezes, e nos nossos dias, há autores que associam essa adoração da Deusa, e iniciação ao seu amor, à prostituição em que os próprios padres e proxenetas tornaram o sexo profano e a mulher promíscua e pecadora, impedida de falar nas igrejas e proibidas de entrar nelas quando menstruadas. Eles falam referindo-se a Maria Madalena e a essas sacerdotisas como prostitutas sagradas - sem perceber esse paradoxo e esse dano feito à mulher...porque o seu ponto de vista é sempre masculino e de acordo com a sua necessidade...eles homens vêm a prostituição como uma forma natural de o homem não iniciado, neste caso, poder ter relações sexuais primárias, ou de satisfazer necessidades básicas, sem perceber que a mulher está a ser usada pela sua compulsão...sim, eles nunca vêm a Mulher total...continuam a dividir a mulher em esposa e amiga e santa...companheira etc., e a “outra” que sempre a puta é uma...necessidade ao serviço das pulsões sexuais do masculino e não do feminino. A mulher nunca foi para aí chamada. O seu prazer nunca esteve em causa. Isso eles não vêm...mesmo os mais bem-intencionados!

Cabe a nós mulheres esclarecê-los e ao mesmo tempo trabalhar pela nossa integridade, pela união das duas mulheres…que é e sempre foi uma só.

Gostaria só de acrescentar que o Serviço das mulheres nos Templos da Deusa como sacerdotisas do Amor e da Vida seria sem dúvida um muito mais elevado, muito mais digno e dignificante serviço à Humanidade do que fazer Serviço Militar e aprender a matar o próximo…e o inimigo, em vez de amar a Terra e a Mulher como igual…E essa é a diferença fundamental entre matriarcado e patriarcado… As mulheres vertem o sangue da vida, os homens vertem o sangue da morte… Os homens ensinam os homens a matar e as mulheres ensinam os homens a amar.
Esta divisão milenar mantem o mundo em guerra. A elevação do feminino e a união dos dois hemisférios beneficiará a Humanidade inteira, mas para isso a mulher tem de ter consciência da sua cisão interna.

http://rosaleonor.blogspot.com.br/

19/04/2012

Sangue, Pulso de Vida!

Sangue da vida,
Com a lua crescente meu corpo o faz.
Sangue da vida,
Com minguante a terra o cultiva.
O tempo veio para mulher abandonar sua vergonha.
O sangue que derramamos é sagrado, uma honra que restaura.
Celebremos nosso dom, o poder para criar
O milagre de amor da vida humana foi consumado.

Sangue da vida,
Com a lua crescente meu corpo o faz.
Sangue da vida,
Com minguante a terra o cultiva.

Sangue da vida,
Sangue de Sabedoria, como os anciões o chamam.
Sangue da vida,
Presente Sagrado, vamos celebrá-lo.

Honre seu ritmo, siga o fluxo.
Ame sua criação, aprenda a deixar ir.
Honre a noite escura, honre o dia, honre seu corpo, ele conhece os caminhos.

Nosso tempo de sangrar cura, é tempo de deixar ir, relaxando no feminino, seguindo com o fluxo.
Não há nenhuma necessidade para compreender como a noite se
transforma em dia.
A alquimia está dentro de você, seu corpo conhece os caminhos.

Eu sou mulher, mulher que flui com a lua,
Mulher que sangra para vida.
Eu honro meu sangue.
Eu sou a mulher sagrada.
Eu sou a mulher que muda.