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01/12/2012






ORAÇÃO DA PRESENÇA,


Que jamais, em tempo algum, o teu
coração acalente o ódio.
Que o canto da maturidade jamais asfixie

a tua criança interior.

Que o teu sorriso seja sempre verdadeiro.
Que as pedras do teu caminho sejam
sempre encaradas como lições de vida.

Que a música seja tua companheira de
momentos secretos contigo mesmo.
Que os teus momentos de amor contenham
a magia de tua alma eterna em cada beijo.

Que os teus olhos sejam dois sóis olhando
a luz da vida em cada amanhecer.
Que cada dia seja um novo recomeço, onde
tua alma dance na luz.

Que em cada passo teu fiquem marcas
luminosas de tua passagem em cada
coração.

Que em cada amigo o teu coração faça
festa e celebre o encanto da amizade
profunda que liga as almas afins.

Que em teus momentos de solidão e
cansaço esteja sempre presente em teu
coração a lembrança de que tudo
passa e se transforma,
quando a alma é grande e generosa.

Que o teu coração voe contente nas asas da
espiritualidade consciente, para que tu
percebas a ternura invisível tocando o
centro do teu ser eterno.

Que um suave vento te acompanhe,
na terra ou no espaço, e por onde quer que a
força invisível do amor leve o teu viver.

Que o teu coração sinta
a Presença secreta do inexplicável !

Que os teus pensamentos, os teus amores,
o teu viver, e a tua passagem pela vida
sejam sempre abençoados por aquele amor
que ama sem nome.
Aquele amor que não se explica,
só se sente.

Que esse amor seja o teu rumo secreto,
viajando eternamente no centro do teu ser.

Que este amor transforme
os teus dramas em luz,
a tua tristeza em celebração,
e os teus passos cansados em
alegres passos de dança renovadora.

Que jamais, em tempo algum,
tu esqueças da presença,
que está em ti e em todos os seres.

Que o teu viver seja pleno
de Paz e de Luz.

Wagner Borges






Com a meditação você apenas é, e é puro prazer


Meditação é aventura, a maior aventura que a mente humana pode empreender. Meditação é simplesmente ser, sem fazer nada - nenhuma ação, nenhum pensamento, nenhuma emoção. Você apenas é, e é p

uro prazer.

De onde vem esse profundo prazer, quando você não está fazendo nada? Não vem de lugar nenhum, ou vem de toda parte. Ele é não-motivado, porque a existência é feita de uma matéria chamada alegria.

Quando você não está fazendo absolutamente nada - corporalmente, mentalmente, em nenhum nível - quando toda a atividade cessou e você simplesmente é, apenas sendo, isso é meditação. Você não pode fazê-la, você não pode praticá-la: você tem apenas que compreendê-la.

Sempre que você encontrar tempo para apenas ser, abandone todo o fazer. Pensar também é um fazer, concentração também é um fazer, contemplação também é um fazer. Mesmo que apenas por um único momento você fique sem fazer nada, simplesmente permanecendo no seu centro, totalmente relaxado - isso é meditação.

E uma vez que você tenha descoberto o jeito, você pode permanecer nesse estado tanto tempo quanto quiser; finalmente você poderá permanecer nesse estado durante as vinte e quatro horas do dia.

Uma vez que você se tomou consciente de como seu ser pode permanecer imperturbado, então, vagarosamente, você pode começar a fazer coisas, mantendo-se alerta para que seu ser não se agite. Essa é a segunda parte da meditação - primeiro, aprender simplesmente a ser, e então aprender pequenas ações: limpar o chão, tomar um banho, mas permanecendo centrado. Então você poderá fazer coisas mais complicadas.

Por exemplo, eu estou falando com você, mas a minha meditação não é perturbada. Eu posso continuar falando, mas lá no meu centro não há nem sequer uma pequena ondulação; ele está absolutamente silencioso, completamente silencioso.

Assim, a meditação não é contra a ação. Não é que você tenha que escapar da vida. Ela simplesmente lhe ensina uma nova maneira de vida: você se toma o centro do ciclone.

A sua vida continua, continua de uma maneira muito mais intensa - com mais alegria, com mais claridade, mais visão, mais criatividade - todavia você está distanciado, apenas um observador nas colinas, simplesmente assistindo o que está acontecendo ao seu redor.
Osho, em "Meditação - A Primeira e Última Liberdade"






"Diante Da Rebeldia"

"Tema – Obediência e Rebeldia

Quanto o espírito de rebeldia se te aproxime do coração, segredando frases como estas: “não adianta fazer o bem” ou “não mereces sofrer”, aguça os ouvidos da própria alma para que possas recolher as grandes vozes inarticuladas da vida.
No alto, constelações que te habituaste a admirar, dizem-te ao pensamento: “antes que o teu raciocínio nos viss
e a luz, já obedecíamos ao Supremo Senhor para servir”, enquanto que a Terra te afirmará: “não és mais que um hóspede dos milhões que carrego há milênios”. Em torno de ti, a árvore falará: “esforço-me de janeiro a dezembro a fim de dar os meus frutos por alguns dias, em nome do Criador; entretanto, além disso, preciso tolerar o rigor ou a diferença das estações, aprendendo a memorizar”, e o animal te confessará: “vivo debaixo do teu arbítrio e fazes de mim o que desejas, por séculos e séculos, porque devo sofrer-te as ordens, sejam quais sejam, para que eu possa, um dia, sentir como sentes e pensar como pensas”.
Medita na tolerância maternal da Natureza que transforma o carvão em diamante, através de décadas e décadas de silêncio e traça caminhos na pedra usando a persistência da gota d’água. Contempla a peça de aço polido e reflete em que ela jamais seria o que é sem os golpes de fogo, que lhe ajustaram os elementos e, quando sacies a própria fome, dedica um instante de reconhecimento ao pão de que te serves, recordando que nunca lhe terias a bênção se a humildade não lhe caracterizasse a tarefa.
Não interpretes a disciplina por tirania e nem acuses a obediência de escravidão.
Trabalha e serve com alegria.
Oferece à paz de todos o concurso que a harmonia te pede.
Rebeldia é orgulho imponto cegueira ao coração.
Não há progresso sem esforço, vitória sem luta, aperfeiçoamento sem sacrifício, como não existe tranqüilidade sem paciência.
Reflete na Infinita Bondade que preside o Universo, a cercar-nos de amor, em todas as direções, e reconheceremos que se transformações dolorosas, no campo da existência muita vez nos transfiguram em crisálidas agoniadas de aflição, ao impacto das provações necessárias, a dor é o instrumento invisível de que Deus se utiliza para converter-nos, a pouco e pouco, em falenas de luz."

ps.: Texto extraído do livro: "Encontro Marcado", autor: Chico Xavier/Emmanuel.


AMAR A SI MESMO É O ALICERCE DE TODO AMOR

A primeira amizade precisa ser consigo mesmo, mas muito raramente se encontra uma pessoa que seja amistosa consigo mesma. Ensinaram-nos a condenar a nós mesmos. O amor-próprio foi considerado como
um pecado. Não é. Ele é a base de todos os outros amores, e é somente através dele que o amor altruísta é possível. Como o amor-próprio foi condenado, todas as outras possibilidades de amor desapareceram. Essa foi a estratégia muito ladina

para destruir o amor.

É como se você dissesse a uma árvore: “Não se alimente da terra, isso é pecado. Não se alimente da lua, da chuva, do sol e das estrelas; isso é egoísmo. Seja altruísta, sirva outras árvores”. Parece lógico, e esse é o perigo. Parece lógico: se você deseja servir os outros, sacrifique-se; servir significa sacrificar-se.
Mas, se uma árvore se sacrificar, ela morrerá e não será capaz de servir nenhuma outra árvore; de maneira nenhuma será capaz de existir.

Ensinaram-lhe: “Não ame a si mesmo”. Essa foi praticamente a mensagem universal das pretensas religiões organizadas. Não de Jesus, mas certamente do cristianismo; não de Buda, mas do budismo - de todas as religiões organizadas, este foi o ensinamento: condene a si mesmo, você é um pecador, você não tem valor.

E, por causa dessa condenação, a árvore do ser humano se retraiu, perdeu o brilho, não pode mais festejar. As pessoas vão dando um jeito de se arrastar, não têm raízes na existência – estão desenraizadas.

O amor é alquímico. Se você se amar, a sua parte feia desaparece, é absorvida, é transformada. A energia é liberada daquela forma. Todas as coisas chamadas de pecado simplesmente desaparecem. Eu não digo que você tenha que mudá-las; você tem que amar o seu ser, e elas mudam. A mudança é um sub-produto, uma conseqüência.
Ame-se. Esse deveria ser o mandamento fundamental. Ame-se. Tudo o mais se seguirá, mas este é o alicerce.
- Osho.




Jesus buscava tanto quanto você


Jesus disse:
Eu sou a Luz que está sobre todos,
eu sou o Todo,

e o Todo vem de mim,
e o Todo retorna a mim.
Corte um pedaço de madeira
e eu estarei lá;
levante uma pedra
e me encontrará lá.

Jesus foi treinado numa das mais antigas escolas secretas. Essa escola era chamada de Essênia. O ensinamento dos essênios é puro Vedanta. É por isso que os cristãos não registram o que aconteceu a Jesus antes dos seus trinta anos. Têm um pequeno registro da sua infância e dos trinta aos trinta e três anos, quando foi crucificado.

Conhecem poucas coisas, mas um fenômeno como Jesus não é um acidente; é uma longa preparação, não pode acontecer de um momento para o outro.

Jesus foi continuamente preparado durante durante esses trinta anos. Primeiro, foi enviado ao Egito e, depois, veio para a Índia. No Egito, aprendeu uma das mais antigas tradições dos métodos secretos. Depois, na Índia, ficou conhecendo os ensinamentos de Buda, os Vedas, os Upanishads e passou por uma longa preparação.

Esses anos não são conhecidos, porque Jesus trabalhou nessas escolas como um discípulo desconhecido. Os cristãos abandonaram propositadamente esses registros, porque gostariam que o filho de Deus não tivesse sido discípulo de qualquer outra pessoa. Não gostam da ideia de Jesus ter sido preparado, ensinado, treinado – parece humilhante.

Acham que o filho de Deus veio absolutamente pronto. Se alguém já está totalmente pronto, não pode vir.

Neste mundo, sempre entramos imperfeitos. A perfeição simplesmente desaparece neste mundo. A perfeição não é daqui, não pode ser – é contra a própria lei. Quando alguém se torna perfeito, toda sua vida entra numa dimensão vertical.

Isto deve ser compreendido: você progride num plano horizontal: de A para B, de B para C, de C para D, e assim por diante até Z; progride numa linha horizontal, do passado para o presente e do presente para o futuro.

Esse é o caminho da alma imperfeita, exatamente como a água fluindo num rio, das montanhas para as planícies e das planícies para o mar - numa linha horizontal, sempre mantendo seu próprio plano.

A perfeição move-se em linhas verticais, não horizontais. De A, ela não vai para B; de A vai para A1, e desse ponto vai para mais alto ainda. Para aqueles que vivem na linha horizontal, a perfeição simplesmente desaparece. Ela não existe, porque eles só podem olhar para o passado ou para o futuro. Podem olhar para trás, mas o homem perfeito não está lá; podem olhar para a frente, mas ele não está lá; podem olhar aqui, mas ele não está - porque uma nova linha de progressão começou.

O homem perfeito sobe cada vez mais alto, cada vez mais para cima. Move-se na eternidade e não no tempo.

A eternidade é vertical; eis porque é um eterno agora - não existe nenhum futuro para ela. Se você se move numa linha, o futuro existe; se você se move de A para B, o B está no futuro; e quando o B se tornar presente, o A já estará no passado e o C no futuro.

Você está sempre entre o passado e o futuro; seu momento presente é só uma fase passageira: o B está se transformando em C, o C em D, o D em E; tudo está se movendo para o passado. Seu presente é apenas uma linha cortada, um pequeno fragmento. No momento em que você se conscientiza dele, ele já se moveu para o passado.

Uma alma perfeita move-se numa dimensão completamente diferente: de A para A1, para A2, para A3 - e isso é eternidade; é viver num eterno agora. Eis porque desaparece deste mundo.

Para entrar neste mundo, você tem de ser imperfeito. Diz-se nas velhas escrituras que sempre que um homem se aproxima da perfeição - muitas vezes isso acontece - deixa alguma coisa imperfeita para poder voltar.

Conta-se que Ramakrishna era viciado em comida, era obcecado. Pensava o dia inteiro em comida. Conversava com seus discípulos e, sempre que tinha uma chance, corria até a cozinha para perguntar à sua mulher: "O que está preparando? Que novidade está fazendo para hoje?" Muitas vezes até sua mulher se sentia embaraçada e dizia: "Paramahansa Deva, isto não fica bem para você." E ele ria.

Um dia, sua esposa insistiu, dizendo: "Até seus discípulos se riem disso e falam: 'Que espécie de homem liberto é Paramahansa?'". Ele era tão obcecado por comida que sempre que Sharada, sua mulher, lhe trazia a refeição, imediatamente dava uma olhada na thali para ver o que ela estava trazendo. Esquecia tudo sobre Vedanta, sobre Brahma, e às vezes era muito embaraçoso, porque havia pessoas presentes e elas achavam um absurdo um homem liberto ser preso à comida.

Um dia, sua esposa insistiu:"Por que você faz isso? Deve haver alguma razão."

Ramakrishna disse: "No dia em que eu não o fizer, você poderá contar mais três dias para eu estar vivo aqui. Quando eu parar, este será o sinal de que só estarei aqui por mais três dias."

Sua esposa riu, seus discípulos também riram e disseram: "Isso não explica nada!" Eles não conseguiram acompanhar o significado do que foi dito.

Mas aconteceu exatamente assim. Um dia, sua esposa chegou com a comida e ele estava repousando em sua cama. Ele virou-se de lado - geralmente pulava da cama para olhar. Sua esposa lembrou-se do que ele havia dito: que viveria apenas mais três dias quando se mostrasse indiferente à comida. Ela não conseguiu segurar a thali; a thali caiu e ela começou a chorar.

Ramakrishna disse: "Mas todos vocês queriam que isso acontecesse. Agora, não se preocupem. Estarei aqui por mais três dias." No terceiro dia, ele morreu. Antes de morrer, disse que estava preso à comida só para continuar ligado a alguma coisa imperfeita e poder estar com os discípulos, servindo-os.

Muitos Mestres fazem isso. No momento em que sentem que estão se tornando completamente perfeitos, prendem-se a alguma imperfeição só para continuar aqui. Caso contrário, esta margem não é mais para eles. Se todas as amarras são rompidas, seus botes rumam para a outra margem, não podem permanecer aqui.

Assim, eles mantêm alguma amarra, mantêm algum relacionamento, encontram alguma fraqueza em si mesmos e não permitem que ela desapareça. Desse modo, o círculo não é completado, uma lacuna permanece. Através dessa lacuna, eles continuam aqui.

É por isso que os hindus, os budistas e os jainistas, por terem conhecido muitos mestres, sabem que a perfeição não é deste mundo. No momento em que o círculo se completa, desaparece dos seus olhos. Você não pode ver, não está na sua linha de visão, está além - lá você não consegue penetrar.

Mas para dizer que Jesus já era perfeito quando nasceu, para enfatizar este fato, os cristãos tiveram de deixar de lado todos os registros. Jesus buscava tanto quanto você, era uma semente de mostarda como você. Tornou-se uma árvore, uma grande árvore, e milhares de pássaros do Céu se abrigam nele - mas também foi uma semente de mostarda.

Lembre-se que Mahavira, Buda e Krishna também nasceram imperfeitos, porque o nascimento pertence à imperfeição. Não há nascimento para o que é perfeito; quando alguém é perfeito, não existe transmigração.

Osho, em "A Semente de Mostarda"