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22/10/2016






Sou água que flui
profundamente profunda
sou emoção a flor da pele
sou pura tempestade
sou seguir por entre pedras
sou nascer de olho d´água
sou corredeira e cachoeira
sou rio manso e tsunami
sou águas que se encontram
sou oceano de amor
carrego comigo as histórias
de todos os cantos que passo
levo os galhos secos
deixo úmida a terra com vida
sou vida que brota
sou a morte que chega
mergulho em mim mesma
penetrando a escura profundeza
descubro a luz da clareza
nas águas de minha Mãe....
sagrada senhora das pérolas
sagrada presença de luz
nas águas de Odoyá
a bússola refaz o trajeto
acerta ponteiro
me leva ao mar....
de volta pro ventre
de Mãe Yemanjá

21/10/2016



Ave Maria repleta de luz
Benditas somos nós filhas da Tua Graça
Benditas somos nós nascidas de Teu ventre.
Abençoai a todas em nossa jornada
Para que sigamos sob tua guarda
Ensinai-nos a beleza da delicadeza
Mostrai-nos o caminho da beleza interna
Santa Maria senhora das rosas
Perfumai nosso destino com Tua Presença
Retirai os espinhos de nossos caminhos
Abençoai nossos úteros para que sejamos
Geradoras da generosidade
Protegei-nos de nossas próprias sombras
Para que não venhamos a ferir nossas irmãs
Que sejamos mãos estendidas
Braços abertos e abraços apertados
Que possamos seguir Seu exemplo
Assim na terra como nas águas
Assim no ar como no fogo
Assim na vida, como na passagem
Assim em mim como em todas!
Assim seja!





O principio feminino trabalha em uma frequência própria, a frequência da vida. Portanto trabalha também em outro paradigma e outra lógica.
Não podemos querer que os princípios que são opostos, sejam iguais e caminhem na mesma linha de coerência, pois energética/psicológica e espiritualmente estão vibrando e compreendendo a vida de formas diferentes.
O principio feminino não está ligado ao sexo físico, mas como esse ser se compreende, se vê e se sente.
Estar ligado a esse princípio é estar ligado ao encantamento, a geração (não apenas de vida intra-uterina), a capacidade de venerar os mistérios do mundo, sua criação, a natureza e nunca contra qualquer forma de vida.
Quando o princípio feminino está em desequilibrio, está em desequilibrio também toda capacidade da vida no planeta.
Caminhar dentro dessa essência é naturalmente desafiador para o princípio masculino, que compreende a vida de forma matemática e foi educado desde a ancestralidade para a guerra, destruição, domínio e assim o machismo foi se formando e se encaixando como conceito natural, já que tudo era "posse" do guerreiro.
Mudar esse paradigma é uma caminhada que necessita realizada urgentemente por ambos os lados de uma mesma moeda, ainda que diferentes, complementares entre si.
O principio feminino precisa voltar ao seu estado de encantamento, geração, espiritualidade, viver toda sua complexidade Livremente, para que nosso mundo possa voltar a caminhar no amor.
O princípio masculino, precisa transmutar o guerreiro (briga), a destruição, o domínio e acima de tudo abandonar o machismo, para que nosso mundo possa voltar a caminhar no equilíbrio.
Juntos, cada um em sua própria essência temos a capacidade de construírmos uma nova era, onde todos possamos determinar quem somos, o que somos e como nos enxergamos dentro da sociedade para torná-la o que sonhamos. Saindo de nossa zona de conforto e do universo umbigo.
A liberdade de sermos quem somos, depende apenas de nos libertarmos das amarras do que pensamos ser.
Sair das gaiolas que nós mesmos criamos é o cenário que precisamos para nos libertarmos das falsas imagens que construímos sobre nós e sobre os outros.
Simples assim!


Somos Breves!
Sejamos leves!

19/10/2016



Com grande honra no coração venho compartilhar aqui a Programação do Festival Brasileiro dos Saberes Femininos onde estarei com uma roda de conversa sobre: "A arte das Benzedeiras"!
Dia 12 de novembro, sábado das 15h as 17:30
Gratidão Grande Mãe por me permitir estar entre as mestras!








Ela foi convidada a ir pro mar e lá se entregar...
Assim, chegando às areias de Odoyá, sentou-se e de olhos fechados ouvir as canções que Ela entoava e o perfume de maresia no ar. Ficou ali por um tempo não contado, mas sentido.
Quando então chegou uma índia anciã que a banhou de ervas, trazidas em uma bolsa de couro. Rezou em seus ouvidos palavras de força, dançou em volta da mulher que sentada estava e sentada ficou sentindo o canto penetrar sua pele, arrepiar seus pêlos e aguçar seu sentir.
A índia senhora, cavou fundo um buraco e chamou a mulher para ali se sentar. E então enterrada ela foi até o pescoço.
Ali, durante algumas horas, chorou se entregou às dores e às lembranças do ventre que a carregou e nutriu. Sentiu os medos de sua mãe e o quanto ela lutava para que o parto não acontecesse. Ali, enterrada nas entranhas da terra, ela sentiu as entranhas de sua mãe e todos os medos que afligiam seu coração, fazendo doer seu corpo como quem recebe doses altas do veneno do medo pelo cordão umbilical. Ali naquele “útero” de terra, ela se viu no útero da mãe, e rezou, chorou, gritou, pediu ajuda, vomitou toda bílis que estava parada em seu corpo, envenenando sua alma com raiva e deixou assim também o medo se ir....sem culpa, sem mágoas, sem mais a dor....e ela não se sentiu mal por ter ali, na terra, naquele útero abençoado, deixar todas suas angústias e percebeu que estava sim, sentindo todas as emoções do parto dolorido pelo qual passara, mas ao contrário do primeiro, ela não foi retirada a força, quando a senhora falou para nascer, lá estava ela, cavando com as unhas, chorando e gritando agradecida por poder renascer em espírito, curada das dores que o corpo e a mente carregaram por anos a fio em sua jornada. E ali, renascia inteira a guerreira. E ali, renascia plena a mulher. E ali renascia pacífica a alma. E ali ficavam, no útero da mãe, todas as lembranças que amarrava ela para que nascesse em laços o Ser que foi criado pela Grande Mãe para vir à Terra cumprir sua Sagrada Missão.
Ali, cansada, deitou-se no chão, com sua cabeça descansando no colo da anciã que a ninava, cantando cantigas de amor para que ela na força da Mãe voltasse a caminhar sem medo, sem raiva, sem amarras. Apenas o fluir das águas do mar percorrendo a alma que florescia e que tinha as raízes fincadas na terra sagrada.
Ali, ela conheceu os segredos da Sereia Sagrada e do Pai da terra....
Ali, ela virou mulher encantada.....ali a mulher, pariu a si mesma.....ali ela honrou sua mãe e todas suas ancestrais.
Ali ela curou suas descendentes


arte: Nubia Alfaro
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