Páginas

14/02/2017




Em noite enluarada de olhares
Quero ver estrelas no céu de bocas
Escancaradas de riso largo

Quero ter a estrada iluminada
Por candeeiros pulsantes
Nos corações dos amantes

Quero o som das vozes felizes
Escrevendo em mármores
Os sonhos de uma vida

Quero o aconchego doce
Do colo que acolhe
Das mãos que acariciam
E que se tornam templo

Quero mãos enlaçadas
Por fitas brancas da paz
Fronteiras e muros caindo
Soando como tambores
No ventre da terra!

Quero a alegria leve
De amores livres
De povos unidos
Sem bandeiras

Quero a felicidade entre olhares
Semente da nova era
Brotando no solo sagrado
Do templo interno
Das almas coloridas de amor.

02/02/2017





O coração nas mãos
não por dor ou apego
mas por delicadeza no trato!
Ah, se pudéssemos todos
ter o coração nas mãos
cuidaríamos com zelo
tocaríamos qual diamante
talvez até mesmo, cristal de águas claras
ou mesmo com a sutileza de quem toca
as cordas de cello ao cair da tarde
Oxalá pudéssemos tê-lo entre nossos dedos
sentiríamos seu pulsar e o saberíamos frágil
e de olhar e sentir o poder silencioso
honraríamos todos os outros
em silencioso rezar, pelo templo de nós!
Ah se soubéssemos desde sempre
o valor que se tem no peito, dentro a tocar
o tambor de nossas vidas...
cuidaríamos dele, como quem encosta com
a ponta dos dedos o filho pela primeira vez!
coração é coisa séria, guarda tesouros encantados
tem casinha de cerca branquinha, tem flores perfumadas
precisa ser cuidado, como quem cuida do divino
pois o pulso que ali pulsa, impulsiona a vida toda!

01/02/2017





Ensaio sobre o medo e a raiva!

Nós não estamos dando conta de esvaziar nossos corações da raiva e do medo, não conseguimos sair da caixa furada onde recebemos apenas o oxigênio necessário para a não morte, ao invés de sairmos para respirar tudo o que merecemos, preenchendo nossos pulmões do mais puro ar da liberdade da paz interior.
Não raiva é paz, não medo é plenitude.
Não sentir raiva ou medo e permitir ver além dos olhos físicos, da mente estagnada e corroída e enxergar a beleza de cada ser e do desabrochar de cada flor nós corações
Quando há a possibilidade de usar a lente do amor, há ainda a resistência e a palavra "luta" "batalha" "combate" vêm à tona e todos os sentidos pacificadores são adormecidos e os olhos preferem a visão já conhecida, a cor cinza toma conta do peito....
Todos queremos e vendemos a idéia de paz e harmonia, mas quando a água da sutileza, da unidade e da calmaria bate na bunda e nos tira os pés do chão forçando nossas pernas a se movimentarem fica claro que muitos de nós ainda preferem se afogar a tornar o esforço compensador e transformador. Alguns poucos passos nos levariam ao céu de nossa alma, apaziguando nossos medos, angústias, dores profundas....olhamos o abismo e cada vez que dizemos não à paz, permitimos que o abismo nos olhe de volta com um sorriso sarcástico de quem vence. O abismo nos consome e novamente escolhemos a escuridão da raiva e do medo ao nascer de um dia que teria tudo para ser perfumado.
Retiramos as pétalas de nossas rosas internas, mas permitimos que os espinhos fiquem e se fortaleçam.....espetando nossos corações e fazendo com que a dor das lembranças, que são apenas isso, lembranças.... fiquem e pisoteiem nosso espírito que fica cada vez mais angustiado, triste, melancólico e se afunde no barro das ilusões. Sim ilusões, porque tudo o que temos é nosso momento presente e nesse aqui e agora estamos com nossas mochilas pesadas de pedras passadas que GOSTAMOS de carregar, pois nós tornamos vítimas. Sair disso requer coragem de abandonar as pedras e nos tornar responsáveis por nós mesmos, nossa jornada e felicidade. Abandonar as pedras significa parar de culpar o mundo, parar de achar que tudo é "culpa" de espíritos obssessores, de inimigos que nos desejam mal, de seres de outros mundos e outras frequências e compreender que cada vibração densa nossa tem capacidade de criar nossos próprios algozes espirituais, nossas formas pensamentos materializadas. E ainda que haja seres frequênciais de diferentes vibrações, nós atraímos e entramos na mesma onda. Portanto....somos responsáveis por nossa caminhada e por cada escolha que fazemos durante nossa jornada.
Temos todas as oportunidades do mundo para mudar. O universo nos envia mensagens, pessoas, situações o tempo todo como auxílio para nossas mudanças, como candeeiro para iluminar nossos passos, mas precisamos estar atentos, olhando para o aqui, não para o passado, não para o futuro, mas para o AGORA, e como disse uma mulher/mestre: a Deusa Oportunidade tem cabelos longos e todos voltados para frente, se estamos distraídos, quando ela passar....os cabelos foram primeiro e a oportunidade foi junto.
Estarmos atendo é vermos os cabelos chegando, enxergar a possibilidade do presente, agarrar os cabelos e ser Feliz!
Para sermos felizes, precisamos agarrar a oportunidade de mudar de foco, de prisma, de horizontes....e permitir transmutar o ódio em paz, afinal somente a paz constrói....o medo destrói todo e qualquer sonho.....e sem eles, a realidade não se manifesta. Abandonar o medo é permitir que a cura se faça. Será que temos a real compreensão que nos alimentamos com o ódio sendo um dos temperos de nossas refeições?
Será que conseguimos ver que o medo apóia nossas cabeças em travesseiros embolorados em noites insones?
Será que percebemos que ao abraçamos as pessoas nosso ódio é emanado e somos responsáveis por isso?
Somos a doença e a cura, a paz e a guerra, a plenitude e a falta, a serenidade e a angústia, somos a escolha inclusive do que deixar de ser....abandonar nossas auto importâncias e apenas permitir que as asas da liberdade que apenas o amor pode tecer, se abra sobre nossas costas tornando a vida mais leve.
Desejo por todas nossas relações, que o amor se faça....e floresça em nossos peitos, qual lótus que se abre no lodo.

30/01/2017

Mãe e filha – um caso de amor



Na maioria das vezes que falamos das relações “mãe e filha” colocamos o foco nas diferenças e dificuldades que essas relações tem e nas lembranças nem sempre amenas que chegam.

Hoje quero falar das belezas dessas relações, do aconchego do colo, do carinho das palavras na hora certa, do abraço que nos une e nos transforma mães e filhas!

Esse relacionamento quando voltado para a nutrição de ambas e quando nós mães nos curamos de nossas feridas internas e conseguimos ser o colo que sempre quisemos ter para acolher as meninas que chegam machucadas necessitando de calor, canções de ninar, o silêncio do não julgamento e a doçura dos conselhos que amenizam estrada, só tendem a ser uma vivência de paz e crescimento.

Se estivermos em perdão e gratidão por nossas vidas e pela vida de nossas ancestrais, os úteros que acolheram nossas almas femininas, teremos todo amor e força do mundo para sermos apenas a beleza que ensina paz no coração e caminho de nossas filhas, não esquecendo que isso retornará a nós em carinho, acolhimento e atenção delas para conosco também em nossa jornada, veremos através de nossas descendentes o efeito dominó da cura, a beleza de luz se espalhando pelo solo, como sol que surge na alvorada, aos poucos, sem pressa, mas que ilumina e aquece.

Essa relação acontece desde que a semente é semeada em nosso ventre e se fortalece a cada olhar, abraço, colo....e permanece por toda eternidade, ainda que entre tempestades e bonanças, ainda que entre quedas e erguidas, o amor entre nós mães/filhas/filhas/mães é sagrado, forte e nutridor!

É no colo de uma mãe que filha chora desde sua dor de barriga até a decepção amorosa, desde a felicidade da gestação a fortaleza do parto, desde o nascer de uma até o transcender da outra para sua nova jornada, rumo ao infinito!

Mães e filhas são o que nutrem o mundo de amor e curadas são também a cura de todos os corações!

24/01/2017







Vocês nos consomem junto com cervejas, nas páginas das revistas, em outdoors que vendem móveis, sapatos e roupas.
Nos consomem em sites pornôs, nos consomem quando caminhamos nas ruas.
Vocês nos enxergam pelas retinas grossas de um sexo porco.
Vocês arranjam amantes para dizer que elas são melhores do que suas companheiras, sem perceberem que só conseguem ser "melhores" porque não lidam com o mal humor, o desrespeito, a falta de sedução, a falta de atenção, de carinho, etc, etc, etc....
Vocês nos consomem como carne expostas em churrascaria.
Vocês nos consomem quando simplesmente andamos na rua e em suas loucas vaidades, pensam que desfilamos para sua apreciação e "elogios tortos".
Vocês nos consomem como quem quer matar a sede no deserto, dos seus insanos desejos.
Vocês nos consomem esquecendo-se que somos como a mãe, a irmã e a filha de cada um de vocês: Somos Mulheres.
Vocês nos consomem como produto descartável.
Vocês nos consomem como prostitutas, mas não suportam que suas mulheres sejam desejáveis.
Vocês nos consomem e nos tiram a vida.
Vocês nos consomem no estupro.
Vocês nos consomem pelos olhos.
Vocês nos consomem como lobos.
Vocês nos consomem e nos destratam, nos tocam como se fossemos tocáveis por qualquer um e como se não tivéssemos escolhas...
Vocês nos consomem e não admitem quando são consumidos, porque ai nos classificam como boa ou não "pra casar"!.
Vocês nos consomem e nos abandonam em sarjetas feito lixo.
Vocês são os que criam nossa imagem, que se nutrem dela, e os que a consomem...e os que deturpam quem somos.
Vocês nos consomem sem pudor.
Vocês precisam parar.
Não somos subprodutos de sua loucura.
Somos MULHERES, MÃES, IRMÃS, FILHAS, NETAS.
"Somos as que marcham
As que não desistem
as que não nada tem a Temer
Nossos passos são herança
Para todas as filhas
Das bruxas guerreiras
Das lobas uivantes
Das putas que os pariu!"