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22/03/2017



Tenho sentido certa preocupação com pessoas, que nem mesmo iniciaram sua jornada dentro de algum caminho e já se colocam a frente desse mesmo caminho, tendo em vista apenas como aparecerão mais do que outras, pois o que as move certamente não é o afã de aprendiz, mas o ego de um mestre que está apenas como feto ainda.

Querer conduzir cerimônias de chanupa, ayahuasca, ou mesmo rodas de conversa sem ter com o que embasar suas falas, pois não houve experiências, não há marcas em seu mocassim mostrando a sola gasta por seus passos no território do aprendizado, mas há marcas de olhares famintos nos mapas onde os mestres passaram. Benzedeiras que sequer sabem benzer, não sabem o significado do intento mas, já querem seguir iniciando outros em um caminho sagrado.

O mapa senhoras e senhores, não é o território e esse para se conhecer, é preciso caminhar. Conhecer suas montanhas e vales, rios e mares, pedras e perfumes. Há que se cair e levantar, sozinhos, para podermos fortalecer nossas pernas e com isso ajudar no fortalecimento de outras pernas que cruzam com as nossas.

Querer guiar almas não é simples. Para ancorar egrégoras há que se ter cuidado e disciplina, há que se ter respeito. Agora se começar pelo fim não tem como aprender essas coisas e corre-se o grande risco de cair num abismo profundo de problemas, desarmonias e mil possibilidades que as sombras oferecem, porque apenas elas se colocam a serviço do ego, a luz se afasta e permite que os aprendizados aconteçam.

Há muitas pessoas que tomam ayahuasca uma, ou duas, até mesmo três vezes e “acham” que sabem de tudo, abrem círculos e cerimônias para conduzir o que não conhecem. Para conduzir uma alma humana há que se conhecer as almas humanas, mas acima de tudo precisamos conhecer nossa profundidade, dessa forma seria como “o ensaio da cegueira”, onde um cego guia outros também cegos, ou quase e todos seguem juntos para o abismo.

A ignorância é o mal da nossa época e por conta dela estamos mais perto de nossas sombras do que de nossa luz!

Para sairmos dessa tal ignorância precisamos de humildade em ser aprendizes, pois os verdadeiros mestres são aqueles que tem paciência para caminhar, delicadeza no falar e aceitação.

Não queira ser antes de maturar, perdem-se maravilhas ao pularmos etapas da vida!



Por todas nossas relações


Mãe Água
não entendem que você é um ser com vida e por ser e ter vida, gera vida através de ti.
não compreendem que sem sua presença morremos todos.
não compreendem sequer que sem você, sequer nascemos.
em suas moléculas carrega o divino dom da geração, mas matam suas células por ganância, por poder.
Matas nossa sede sem pedir nada em troca, apenas que cuidemos, que sejamos zelosos por aquilo que nos faz vibrar o coração.
Mãe Água
esses seres nem se percebem que são eles feitos de água e que sem sua fonte, secamos feito desertos.
não percebem que sendo tuas águas fecundidade, tiramos de nós as emoções e secamos também como humanos.
Mãe Água
dificil explicar para esses corações secos, que bombeiam poeira ao invés de sangue, que na sua falta, nada pode substituí-la e toda a vida neste planeta, definha feito galho de árvore que não é regada pelas chuvas....definha feito poeria e apenas voa sendo soprada pelo ar, sem lar, sem dar, sem doar....
No seu dia Mãe Água
peço perdão por todos nós, por mim, por minhas próprias águas, por minhas pegadas em solo seco.
peço perdão por todas as águas.
Sinto muito
Me perdoe
Eu te amo
Sou grata pela vida que em mim pulsa por suas águas!

Rose Kareemi Ponce

21/03/2017




Quem somos nós sem os sonhos.

Quem somos nós sem nossos sobrenomes, que foram herdado e que nem sempre queremos ter em nós o peso que essa ancestralidade nos traz, sem perguntarem se queremos, porque não se encaixa em nossas jornadas pessoais, em nossos corações, não há identificação.

Quem somos nós sem as músicas, sem nossos ídolos e ilusões?

Quem somos nós sem tudo o que acreditamos que nos preenche e define quem somos, sem os títulos, postos e nomeações?

Estamos prontos para descobrirmos quem somos sem tudo o que pensamos?

Vivemos em um tempo de plástico. A fé paga com cartão de crédito. A vela acesa “online”, onde a chama nem existe, sequer aquece, quiçá ilumina!

Somos enganados diuturnamente que valemos quanto pesamos, em relógios, carros, marcas, barcos nos púlpitos de templos nada sacros, em empresas que nos enxergam apenas como “mais valia”, enquanto nossos sonhos e chamados de alma têm afogado as dores em novelas que mostram a “triste história real”, em telejornais que escorrem sangue rubro de vergonha e medo. Medo de ser quem somos e medo do que essa verdade pode nos trazer. As tais conseqüências que chegam por assumirmos nossa individuação.

Quem somos nós, sem toda essa construção que forma uma fortaleza ao nosso redor, onde não conseguimos nos ver sem a imagem do pai, do filho, da mãe, da religião, do medo, da tristeza, da ganância, das distrações, do ódio, das certezas, das mentiras e do nosso espírito nada santo. Amém.

Para saber quem somos, precisamos abandonar tudo o que pensamos sobre nós.

Para saber quem somos, precisamos aceitar que nada sabemos. Sairmos da auto-importância.

Estamos todos prontos para deixar de nos identificar com símbolos?

Estamos prontos para o vazio antes da plenitude?

Essa entrega é como mergulhar em um buraco negro. Apenas o essencial ficará!

Estamos prontos para ouvir nossa “vocação”, que vem do latim “vocare”, que significa “chamado” interno (alma)?

Nossas almas estão chamando para nos entregarmos a nossa vocação, mas para que isso aconteça precisamos nos livrar de quem pensamos ser (ego), e aceitarmos nossa essência (alma).

Precisamos começar o exercício de nos desconectar de tudo que nos rotula e limita para nos entregar a paz de apenas Ser. Sem nada que nos defina ou limite!



20/03/2017



Ano Novo e Saturno chegando!

Não esperava que um encontro e uma fotografia rendessem tantos comentários, positivos e negativos. Claro que os comentários negativos foram feitos no inbox no Facebook, afinal quem critica sem razão se esconde, não mostra a cara.
Chegaram a falar que não caminho com as palavras pois aceitei benção de uma pessoa que participa de uma instituição que é responsável pela morte de muitos de meus antepassados. Ok.
Chegaram a me falar que: "não tenho vergonha na cara"!....Ok.
Gente, eu fico as vezes sem palavras para me colocar com esses fatos, porque muito me indigna ver pessoas que se auto intitulam espiritualizadas, buscadoras ou o que quer que seja, sem querer sair da caixa, sem querer evoluir e ver que o passado não existe mais...."o passado é uma roupa, que não me serve mais"!
Meus antepassados certamente esperaram essa data, essa hora, esse meu caminhar, pois somente no amor podemos fazer brotar o perdão e a evolução. Enquanto carregarmos as pedras que pesam em nossas mochilas a cura não vem. Enquanto ficarmos presos a correntes o novo não acontece a vida se torna cinza, cada vez mais.
Meus antepassados certamente ficaram honrados e felizes porque sentiram-se livres das bolas de ferro do ódio que tanto consumiu e ainda consomem grande parte da nossa sociedade.
Recebi bençãos do Padre Fábio de Melo, SIM.
Recebi e receberia quantas vezes meu coração sentir de aceitar e se curvar diante de um ser que vibra AMOR.
Chegar perto dele é inexplicável, pois ao seu redor tem uma aura de luz grande e o amor brota de seus olhos. Ele caminha com as palavras.
Sim ele é todo "gatinho", porque se apresenta como um igual, não usa batina o tempo todo porque se faz parte do povo e sim, ele mantém uma certa distância das pessoas porque existe uma confusão entre o homem e o padre e se ele não tomar cuidado isso se torna nocivo, eu compreendo isso porque as pessoas costumam nos colocar em degraus ou situações que não nos vemos.
Não honro pessoas por etiquetas, não honro pessoas por aquilo que a separa de mim, mas pelo que me une a ela. Não me importa denominações, títulos, instituições, me importa o coração daquela pessoa. Por isso amo evangélicos, católicos, espíritas, candomblezeiras(os), umbandistas, ateus, judeus, brancos, amarelos, azuis, vermelhos, verdes, terráqueos, marcianos, jupiterianos, lunáticos.....amo incondicionalmente Seres, não suas etiquetas. Amo seu presente, não seu passado ou futuro. Amo seus olhares, não as cores de suas retinas. Amo o coração de cada irmão que se apresenta e chega em minha jornada.
Me senti honrada por receber a benção dele nessa jornada do Despertar. Porque honro todas as minhas relações e todas são importantes no rezo, na benzeção, ano amor manifesto.
Não, eu não deixei de caminhar com minhas palavras, não deixei de ser quem sou, não me converti a nada apenas sigo fluindo entre os corações e olhares, entre idas e vindas, entre todos os seres pois esse é meu aprendizado, isso é o que prego, o que sinto, o que penso e o que faço. Esse é meu rezo.
Caminho com minhas palavras.
Sair da zona de conforto e crítica não é fácil, mas sigo porque essa é minha jornada.
Caminho sendo guiada pela luz de meu coração, coberta pelo manto da Grande Mãe, abençoada por todos no meu caminho e quem não sentir essa sintonia, que siga....porque não mudo para agradar ninguém, quando mudo é porque o caminho e a caminhada me fizeram mudar.
Mudei, hoje sou AMOR EM MOVIMENTO.
Com as bençãos do Padre Fábio de Melo, de Nossa Senhora de Fátima, de Maria, da minha família, dos meus amigos, dos meus irmãos.
Sinto-me divinamente segura pois o resto senhores que ainda caminham na caixa de seus preconceitos e eternas certezas(incertas)...é apenas isso: RESTO.
O mundo muda, quando EU mudo.
Por todas nossas relações

Rose Kareemi Ponce


15/03/2017






Durante nossa caminhada terrena temos momentos em que caminhamos nos vales verdes, outros no vale da morte e outros estamos nos topos das montanhas mais altas, vendo a luz do sol nascer de cima. Em cada momento nossas energias e aprendizados acontecem em uma determinada freqüência e somos tomados por sentimentos diversos.

Ao caminhar por vales verdes temos a sensação de calmaria e passividade, ao darmos nossos passos no vale da morte, que nos coloca em contato com nossos lados mais sombrios e passarmos pela noite escura da alma, temos a sensação de morte. Algo profundo em nós se desgruda de nossa pele, como cobra que troca sua vestimenta, e nos pede o desapego. Enquanto não soltarmos, a pele fica grudada nos ossos, na carne e essa sangra, escorre rubramente nossas falsas idéias, nossos dogmas, nossos preconceitos, nossos egos inflacionados por nossas auto importâncias. Mas ao percorrer esses caminhos e nos entregarmos, o topo da montanha vai se aproximando porque ficamos mais leves, mais sutis e deixamos pelo caminho os pesos mortos que estavam em nossas mochilas e podemos sentir o perfume do ar fresco e temos um vasto horizonte para nos enfeitar a visão.

Porém a vida não é linear e o fato de chegarmos ao topo não significa que expurgamos todo nosso veneno, podemos a qualquer momento cair novamente para os vales, pois o ego é implacável e nos observa atentamente aguardando apenas um deslize, uma escorregada de nossas mentes, que nos mente o tempo todo e nos faz sentir maiores do que realmente somos e ai, voltamos ao início de outra jornada, para novamente aprendermos, só que novas lições. Cada degrau que conseguimos escalar, nos faz ter uma percepção diferente e nos coloca desafios diferentes no caminho para que dessa forma estejamos abertos ao lapidar da alma, a re-descobrir o brilho que Somos.

A jornada de nossas vidas é um eterno sob e desce, cai e levanta pois é isso que nos torna grandes, é isso que proporciona à nossa alma a evolução que ela busca incansavelmente. É em busca dessa evolução que caminhamos, brigamos, amamos, choramos, gritamos, damos as mãos, abraçamos, rezamos. Somente vivendo cada dia com sua grandeza e beleza, nos entregando a ele como único, pois realmente o é, e dando a cada momento o melhor de nós em todas nossas escolhas, em cada atividade, a cada troca de olhar que vamos nos tornando seres ainda melhores. Crescemos quando nos permitimos entrega. Permitimos a entrega, quando saímos da dúvida e só deixamos de duvidar, quando nos entregamos. É a roda que faz seu giro em nós.

O importante é termos consciência de que cair nos faz forte, porque a próxima lição é Levantar. Termos a humildade de reconhecer nossos excessos e nossas faltas é o primeiro passo para sairmos da zona de conforto, sinal que o reflexo no espelho não é mais o que gostaríamos de ver.

Levantar humildemente é para os guerreiros e isso é uma das freqüências da paz interna!

Por todas nossas relações.
Sinto Muito.
Me perdoe.
Eu te amo.
Sou grata.



Rose Kareemi Ponce