Tenho sentido certa preocupação com pessoas, que nem mesmo iniciaram sua jornada dentro de algum caminho e já se colocam a frente desse mesmo caminho, tendo em vista apenas como aparecerão mais do que outras, pois o que as move certamente não é o afã de aprendiz, mas o ego de um mestre que está apenas como feto ainda.
Querer conduzir cerimônias de chanupa, ayahuasca, ou mesmo rodas de conversa sem ter com o que embasar suas falas, pois não houve experiências, não há marcas em seu mocassim mostrando a sola gasta por seus passos no território do aprendizado, mas há marcas de olhares famintos nos mapas onde os mestres passaram. Benzedeiras que sequer sabem benzer, não sabem o significado do intento mas, já querem seguir iniciando outros em um caminho sagrado.
O mapa senhoras e senhores, não é o território e esse para se conhecer, é preciso caminhar. Conhecer suas montanhas e vales, rios e mares, pedras e perfumes. Há que se cair e levantar, sozinhos, para podermos fortalecer nossas pernas e com isso ajudar no fortalecimento de outras pernas que cruzam com as nossas.
Querer guiar almas não é simples. Para ancorar egrégoras há que se ter cuidado e disciplina, há que se ter respeito. Agora se começar pelo fim não tem como aprender essas coisas e corre-se o grande risco de cair num abismo profundo de problemas, desarmonias e mil possibilidades que as sombras oferecem, porque apenas elas se colocam a serviço do ego, a luz se afasta e permite que os aprendizados aconteçam.
Há muitas pessoas que tomam ayahuasca uma, ou duas, até mesmo três vezes e “acham” que sabem de tudo, abrem círculos e cerimônias para conduzir o que não conhecem. Para conduzir uma alma humana há que se conhecer as almas humanas, mas acima de tudo precisamos conhecer nossa profundidade, dessa forma seria como “o ensaio da cegueira”, onde um cego guia outros também cegos, ou quase e todos seguem juntos para o abismo.
A ignorância é o mal da nossa época e por conta dela estamos mais perto de nossas sombras do que de nossa luz!
Para sairmos dessa tal ignorância precisamos de humildade em ser aprendizes, pois os verdadeiros mestres são aqueles que tem paciência para caminhar, delicadeza no falar e aceitação.
Não queira ser antes de maturar, perdem-se maravilhas ao pularmos etapas da vida!
Por todas nossas relações





