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27/11/2017






Sobre o Despertar das Almas Benzedeiras

Nosso intento não é dar curso nem mesmo ensinar a rezar.
Nosso intento é a conscientização das pessoas, independente de gênero, a responsabilidade sobre nosso falar, sentir e agir.
Nosso intento é Despertar em cada coração o desejo de Ser a benção na vida do irmão e a assumir a auto responsabilidade sobre o que acontece no mundo, macro e micro.
Nosso intento é realizar o sonho da: "não religião", do "acolhimento", do "estender as mãos", do "ser a ajuda" que tanto esperamos e a ação viva, repleta de energia vital de amor para que curemos os corações e as almas que caminham desatentas pelo mundo.
Nosso intento é manter viva a sabedoria do ensinar pelo exemplo e de usar o verbo para o bendizer, tornar o outro sagrado através do nosso desejo de envolvê-lo em amor incondicional, ou seja, sem rótulos e etiquetas.
Nosso intento é que todos percebam onde estão e como podem ser úteis verdadeiramente e como, através do amor, podemos promover a cura de todos os males na sociedade, principalmente o mal da exclusão, da maledicência, do preconceito e do julgamento.
Nosso intento é promover o amor a todos os povos, crenças, cores, gêneros.
Nosso intento é para que possamos sair da fala e tornarmos o amor exatamente aquilo que ele nasceu pra ser: VERBO, portanto, AÇÃO.
Esse é o intento do Despertar das Almas Benzedeiras, o de promover a PAZ e a CONSCIENTIZAÇÃO de TODOS, por TODOS E para TODOS!
Nosso intento é Despertar pessoas que se importam com pessoas para serem disponíveis amorosamente a mais e mais pessoas!


Rose Kareemi Ponce

23/11/2017





Do centro do meu coração
envio fachos de luz aos outros corações
nada peço, apenas envio amor profundo
entrego meus rezos ao vento, qual sementes
e espero que elas se espalhem e se aconcheguem
que encontrem calor humano, que sintam paz
espero que os solos estejam férteis
desejo a partir de mim que o Todo se mostre a todos
Do centro do meu coração
envio fios que tecem caminhos floridos
que se unem e cobrem os peitos desabrigados
aquecendo corpos necessitados de amor
em mim a calma se apodera da alma
e quanto mais a paz se faz mais os fios se estendem
por toda extensão planetária, cobrindo a Terra Mãe
com o amor que nasce do tear do meu peito
Do centro do meu coração
nasce o desejo da cura das almas
para que se reconheçam irmãs e
enterrem sob as raizes da Samaúma
tudo o que nos separa e segrega
Assim, do centro do meu coração
vou entregando a mim mesma
num rezo por meus irmãos
curando assim as feridas
dos pés cansados das jornadas da vida
me faço instrumento e na fumaça
do petyngua desmancho em mim
o que não posso desmanchar no outro.
Do centro do meu coração
me faço luz para iluminar a estrada
onde meus irmãos vão caminhar
Do centro do meu coração
me faço passageira como o vento
me faço força como as águas
que abençoam minhas palavras,
as que nascem, do centro do meu coração...

Rose Kareemi Ponce




Caminhar o caminho da paz requer desapego de dogmas e crenças limitantes.
Caminhar o caminho da construção de um novo mundo nos faz tomar consciência de toda sabedoria que nos foi deixada como pegadas a serem seguidas, iluminando a jornada dos passos que precisam ser dados.
Respeitar toda forma de crença para que possamos viver livres de amarras de julgamento. Respeitar as tradições é passo importante para que tenhamos nossa força interior renovada, nossas raízes fortalecidas, caso contrário enfraquecemos e apodrecemos por dentro.
Sem reconhecermos nossa ancestralidade em nós mesmos, achando que ela ficou no passado e que nada temos em nós, é como negar quem somos de verdade e tudo o que nos rege o coração e a alma.
A intolerância social e religiosa que temos vivido neste momento no país, mostra que estamos perdidos em um monte de mentiras que contamos a nós mesmos. Acreditamos que para sobrevivermos precisamos destruir o que é diferente, acreditamos que somente uma verdade rege esse mundão e que uma única forma de fé pode ser a verdadeira e a que ilumina.
Vivemos um momento que pensar diferente nos torna alvo, inclusive de uma bala que nada tem de perdida, sempre tem endereço certo.
Vivemos um momento onde pessoas pensam que templos são mais sagrados do que os irmãos caminhada e que seus regentes são os proprietários da palavra divina. Ledo engano que o ego nos impõe.
A verdade que conhecemos é apenas fragmento da Verdade Maior, e nenhum humano é capaz de alcançar longe do AMOR e esse não é o mor que pensamos sentir por nossos companheiros(as), filhos(as)...porque esse ainda é amor posse. O AMOR que nos ilumina e nos nos torna grandes é o desinteressado, é aquele que sentimos pela alma humana e não pelo corpo, olhos, cheiro...é o AMOR que liberta das amarras, não nos prende em templos físicos porque a alma que AMA, voa em direção a liberdade de SER.
Estamos vivendo um momento neste país, ainda que nublado e coberto pelos véus que o poder nos coloca e muitos de nós aceita, onde a monocultura da fé e social, tem nos levado a separação por cor, crenças e ideologias políticas, como se os políticos que hoje ocupam seus cargos de PODER estivessem realmente preocupados com a massa que fica sob seus pés. Eles estão preocupados com o PODER sobre o outro, não com o PODER PELO OUTRO, numa busca pela igualdade, solidariedade e respeito. NÃO HÁ AMOR SEM RESPEITO OU RESPEITO SEM AMOR.
Vivemos um momento onde todos estão com togas de juíz e martelo nas mãos, mas apenas para massacrar o outro que pensa diferente porque seu caminhar, sua visão do mundo é diferente. Cada um tem seu próprio túnel de realidade e isso nos torna grandes quando compreendemos essa lei, porque aprendemos com os diferentes, não os combatemos.
Esses senhores querem que tenhamos a mesma forma de pensar sobre sexualidade, sobre educação, sobre cultura, sobre a sabedoria nativa, esquecendo-se que seu maior símbolo veio a esse mundo para trazer uma mensagem, que é ignorada por todos, ou quase todos: AMAI AO PRÓXIMO COMO A TI MESMO. Isso significa, respeite o outro para ser respeitado pelo outro. Aceite o outro para ser aceito. Acolha o outro para ser acolhido.
Entrar em casas de rezas indígenas e destruir foge do caminho que o Mestre deixou a seus seguidores. Destruir congás de umbanda e candomblé foge deste mesmo ensinamento.
Vivemos num tempo onde queremos ter apenas coisas e razão e enquanto isso acontecer, a PAZ estará distante de todos nós.
Que possamos nos voltar para a simplicidade do caminhar com pés descalços, onde o ego é descarregado na terra e se mantém do tamanho apenas que ele precisa estar mas, que os corações se agigantem no AMOR incondicional por todos.
Caminhamos na luz, pela luz e para a luz

Aguyjevete

Rose Kareemi Ponce

#RESPEITEMOSPAJÉS

16/11/2017






Há dois anos, tive vários sonhos com cobras durante dias seguidos. Em um deles eu estava em uma caverna enorme, linda e nela havia um rio subterrâneo e pessoas subiam nas pedras para mergulharem nessas águas que de tão límpidas, podia-se vê-las até o fundo.

Eu, sentada em uma pedra observando todo o movimento, percebi que o chão se “mexia” e ao botar mais atenção vi que haviam cobras pelo chão, muitas delas e eu ia apontando e dizendo: nossa você é uma coral verdadeira, você é uma jararaca...e me levantei para caminhar entre elas enquanto elas armavam o bote mas, não atacavam, se afastavam enquanto eu caminhava. Fui a beira daquele rio e senti um desejo de pular quando, um braço masculino (foi a única coisa que vi desse ser) me segurou e disse: - não, você não deve mergulhar aqui, já que a maré baixa e você não voltará. Eu, assustada perguntei: A maré? Como assim?

E olhando para o rio vi que as águas baixavam rapidamente e com elas, as cobras desapareciam, iam se recolhendo...(fim)

Uma semana após esse sonho, fiz uma caminhada com dois amigos, em direção a praia do Bonete em Ilhabela, uma jornada de 14 km de muuuitas subidas difíceis, mas que vale a pena fazer. Durante essa caminhada, senti em um momento que pisei em um tronco grande e não forcei o pé, quando esse “tronco” se levantou e ficou de frente pra mim. Meu coração parou e a única coisa que eu fiz foi levantar os braços (como se fosse fazer diferença ficar de braços abaixados) e em minha cabeça a pergunta era: “quem é você..quem é você...quem é você.....eu precisava reconhecer que cobra era, para saber o que fazer a partir de então..passou um filme na cabeça..então reconheci que era uma caninana, uma cobra não venenosa que ao me olhar nos olhos, voltou ao chão, se escondendo no mato. Depois a vimos atravessar a trilha e percebemos que era realmente grande!

Bem, estou contando isso porque estou em um caminho de volta às minhas origens, cada vez mais buscando conhecer a cultura Guarani, honrando assim minha avó materna, meu pai e a mim mesma; descobri que há uma lenda nossa que fala da caninana, mas descobri mais do que isso. Descobri que quando a ancestralidade te chama, ela dá um jeito de ser ouvida, ou vista no meu caso e que cedo ou tarde, entendemos os sinais que chegam. Nesse momento onde tudo se encaixa no espírito, na mente e no coração (e pele), apenas a gratidão se faz presente!

Reza a lenda que Jacy (Lua) e Iassytatassú (Estrela d'alva), combinaram visitar o centro da Terra. Quando foram atravessar o abismo, Caninana Tyiiba mordeu a face de Jacy. Jacy derramou suas lágrimas sobre uma plantação de mandioca. Depois disso o rosto de Jacy ficou marcado para sempre pelas mordidas de Caninana. À partir das lágrimas de Jacy, surgiu o tycupy (tucupi).



Obs: Do Tupi guarani tucu-pi = a decoada picante. Sumo da mandioca puba – apodrecida.

Medicina da cobra: COBRA OU SERPENTES:

A cobra sabe que terá de trocar de pele e se deixar transmutar, aceitando o que lhe acontece de novo. Simplesmente vamos mudando, assimilando idéias e inspirações. Quando notamos, não somos mais os mesmos. A serpente traz a força para nos adaptarmos a novas mudanças de vida. A força da medicina da cobra e a força da criação englobam a sexualidade, a energia psíquica, a alquimia, a reprodução e a imortalidade. Regeneração, sabedoria, sensualidade, cura e psiquismo.


Rose Kareemi Ponce

14/11/2017



Meu útero não está a serviço de homens ou do estado.
Meu útero é livre como meu coração;.
Meu útero é portal de almas,
não poço de submissão.
Sou Mulher e sou Guerreira.
Meu útero é sagrado e não moeda de troca.
Meu útero não pode gerar o medo ou a raiva,
ele deve apenas gerar amor!
Meu útero não está preso a bolas de ferro
nem mesmo a estacas empaladoras.
Meu útero vive e não será escravo do patriarcado.
Ele pulsa e vive no feminino de minha alma.
Meu útero não será escravo de homens,
pois ele gera a liberdade das mulheres.


#nãoapec181


Rose Kareemi Ponce