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14/06/2018






Parir um conto é como parir um filho.
Não engravidamos da inspiração quando queremos apenas, precisamos juntar o querer, com umas pitadas de inspiração, uma porção de emoção, deixar a alma vazia para o aprendizado, o frontal aberto para "ver" as palavras que chegam, juntar todas elas, chacoalhar, para sentir a catarse do orgasmo chegando e então sentir-se grávida. As palavras que chegaram precisam ser organizas em seus devidos lugares, cada pedaço, cada tom precisa ser sentido, cada significado...assim cria-se o corpo, mas ainda falta encaixar a alma. Permitir que as Musas tragam pelas mãos o espírito mágico que dará vida a todo aquele emaranhado de idéias, sentimentos, emoções...permitir que tenha brilho por si só e que esse brilho seja permanente a partir de então em nossas vidas.
Então, após as Senhoras da inspiração abençoarem com sua luz, toda criação, ela está pronta para ser parida, desenhada em papel, com os hieroglifos dos tempos atuais, usando símbolos atuais, roupagens de agora.
E num inundar das mais profundas e cristalinas águas, as palavras escoam pelos canais e coroam a boca do céu, trazendo a tona o ser que nos acompanhou tão profundamente durante o tempo necessário para ser parido.
Num grito que nasce das profundezas da alma, percebemos que estivemos em um aprendizado, sendo iniciadas no infinito, direto da fonte, onde as águas transparentes geram palavras sagradas.
Parir um filho é reencontrar a força da vida.
Parir um texto, é aprender como dançar essa força!
Parir um conto é ser instrumento das Musas!
Amo escrever!


Rose Kareemi Ponce

13/06/2018




Os "xamãs", a medicina e a responsabilidade de todos.

Ultimamente tem acontecido de algumas casas ditas "espirituais", seus guardiões auto intitulado "xamãs" e seus seguidores darem de frente com uma energia chamada VERDADE batendo na porta.
Esse é um ano onde a Verdade está sendo chamada pela Lei e pela Justiça divina a escancararem fatos e ações em todas as direções. Mentiras caindo e pessoas sendo chamadas à responsabilidade de seus atos e escolhas.
Sim, há muitos homens caindo de suas máscaras de bons moços, bons dirigentes, bons isso ou aquilo, usando de sua posição de liderança, de "guia espiritual" para abusar das energias femininas. Muitos inclusive se esquecem que a maior medicina usada por todos, a ayahuasca, tem parte feminina, em um equilibrio mágico entre as duas forças: Feminina e Masculina. Dessa forma caminham usurpando de energias e corpos femininos, sem a menor capacidade de respeitar o caminho. Fazendo de conta que tudo é oba oba.
Não é.
A medicina cobra, porque ela é a Verdade sendo escancarada.
Esses homens precisam ser parados, suas casas fechadas, a energia decantada e purificada, mas, as mulheres precisam sair de suas posições de eternas vítimas.
Vamos conversar abertamente?
A linha dessa responsabilidade não tem apenas uma ponta, tem duas. Uma da liderança irresponsável e outra, de quem simplesmente perde seu senso crítico e se permite passar por situações absolutamente fáceis de cortar.
A medicina não deixa ninguém vulnerável a ponto de não sabermos o que fazemos, o que dizemos e o limite do nosso espaço sagrado. Esse espaço amplia, não diminui. A não ser que estejamos vivendo o momento que chamamos "morte", dentro da medicina, onde realmente perdemos totalmente a noção inclusive do corpo físico, todos os momentos são conscientes.
Então, não há vulnerabilidade nem falta de discernimento para darmos um basta em abusos físicos. Se alguém tentar me tocar, saberei dizer se aquilo é ou não para acontecer e se não for, saberei barrar a ação do outro.
Precisamos, nós mulheres, termos consciência da nossa vida e não nos colocarmos sempre como vitimas e coitadinhas, NÃO NOS CABE MAIS ESSE PAPEL.
Quando falamos em mudanças sociais, de dogmas e paradigmas, esse é o ponto que vejo com mais necessidade, sairmos da nossa zona de conforto, que nada tem de confortável, assumirmos responsabilidade sobre nossa caminhada e termos consciência do nosso espaço sagrado. Ninguém pode fazer isso por nós.
A culpa sim, é do homem em que confiamos para estar sendo guiadas, mas a responsabilidade é nossa por não nos colocarmos, por estarmos sempre vendo no outro a salvação e mais do que tudo, por não termos disciplina com nossa existência.
Caminhar no mundo da espiritualidade requer responsabilidade, conhecimento, estudo fino e diário, sobre NÓS.
Caminhar no mundo da espiritualidade é saber que tudo tem hora e local para acontecer, convites fora de hora para uso da medicina, sem cerimonial, sem respeito, mostra falta de conhecimento de quem conduz e falta de discernimento de quem se permite ser conduzido.
Por amor, vamos colocar parte da responsabilidade em nossos colos e assumirmos elas.
Vamos procurar conhecer os locais, saber das pessoas que frequentam e acima de tudo, quem conduz e é RESPONSÁVEL pelo espaço, que deve ser considerado SAGRADO?
Perguntem a um indigena se ao realizarem cerimonia eles ficam de oba oba.
Perguntem sobre o respeito deles às casas de reza.
Perguntem, questionem, não tenham medo ou vergonha de ser curiosos. A curiosidade move e ascensiona o mundo.
Os tais "xamãs" são responsáveis?
Óbvio que sim.
As mulheres são co-responsáveis?
Obvio que sim.
O que fazer?
Cuidar com clareza de seu espaço sagrado e parar de ser a vitima.
NÓS PODEMOS.
NÓS DEVEMOS CAMINHAR COM CUIDADO ESSE CAMINHO.
NÓS TEMOS A OBRIGAÇÃO DE ESTARMOS ATENTAS A NÓS MESMAS.
NÓS PRECISAMOS SER A MULHER QUE COBRAMOS QUE AS OUTRAS SEJAM.
Conheça a Verdade e a Verdade te libertará.
Mas qual Verdade você está disposta a conhecer mesmo?
Quão fundo na toca do coelho você está disposta a entrar?
Sem mais

Rose Kareemi Ponce

31/05/2018









Sentei a beira da estrada
observei as rodas frenéticas que passavam sem ao menos saber o destino que seguiam.
Tentei compreender a pressa dos motores e a angustia dos motoristas, em suas buscas frenéticas pela velocidade. O tempo sendo contado em quilometros por hora.
Não compreendo o rodopio das mentes e o vazio dos corações, que buscam, buscam, buscam...sem nada encontrar.
Fora, lá fora, dizem eles famintos de algo que nem sabem exatamente do que.
Apenas têm fome.
A alma faminta, seca.
O corpo sedento, seca.
Sentada a beira da estra, observando a angustia nos olhares.Só veem placas, radares...
O bater dos corações já não ecoam com o coração da Terra. Andam sobre pneus de borracha, e, quando com seus pés no chão, estão sobre solas também de borracha.
Ouvem no rádio noticias falsas, como o perfume barato que compram, imitando o da estrela da vênus platinada.
Seguem famintos....secos...
Seguem sedentos...secos.
Esperança e confiança são palavras esquecidas no dicionário que ficou guardado na gaveta, junto ao livro que antes servia de alento. Hoje serve como o novo ditador.
Ah!!!
Esse povo que corre e é alimentado por uma tela fria, com palavras mais frias e seres tão frios, que não sabemos se estão vivos, ou se apenas sobrevivem.
Tempos difíceis esses...
Sentada a beira da estrada, de repente o silencio dos motores. Chegam passos. Mais passos. Mais passos.
Não sinto corações pulsando, sinto medo.
O medo vestido de verde amarelo, pede o verde oliva para contemplar a vida.
O verde oliva que não vive. Mata.
O medo vestido de verde amarelo, encontra o cinza. Que mata.
A angustia segue com cheiro de gás.
Lágrimas.
Gritos.
Sentada a beira da estrada, observei que a velocidade dos automóveis, suas rodas, não alcançam a velocidade do medo.
O medo que assola, que arranca a pela, que se pendura no pau de arara.
Sentada ali...percebi, que meu mundo é menos rápido, mais silencioso, descalço....mas há um vazio de tempo, de relógios, de carros, de borrachas...inclusive as balas.
Sentada ali percebi que estar é temporário.
Levantei.
Fui.
O silêncio e a calma voltaram.
Lá....o cinza e o verde oliva se misturavam ao verde amarelo...
Aqui...mil cores.
Sem balas.
Sem pressa.
Sem gritos.


Rose Kareemi Ponce





Viajei mundos estrelares
Despetalei as íris dos meus olhos
Conheci outras cores
Peguei carona com cometas
Deitei na via Láctea
Dancei junto às Três Marias
Sonhei com a Senhora de Prata
Meditei com o grande Avô
Meus pés tocaram o infinito
Dei mãos aos pleiadianos
Rodei ciranda com os anéis de Saturno
Atravessei portais de sombras e luz
Conheci as mentiras
Busquei minhas verdades
Vi a Terra do alto
Azul profundo na escuridão
Voltei e senti a Presença
em cada desenho das flores
Geometria sagrada onde cabe
O Todo e onde pulsa meu coração.


Rose Kareemi Ponce

30/05/2018








Quando escolhemos o caminho espiritual muitos de nós não tem consciência do quanto de renuncias precisamos fazer.
Renuncias internas, abrindo mão de apegos, programações mentais, paradigmas e crenças que estão marcados como tatuagem em nosso campo e paranos libertar disso tudo, precisamos depurar.
Nem sempre essa fase de depuração é vista ou vivida com tranquilidade, pois é o momento mais dolorido da caminhada.
Somos descascados, desafiados, e todas as nossas sombras são colocadas a nossa frente.
Nunca paramos com esse movimento, pois a evolução não para e sempre temos coisas a aprender e a desapegar.
Nesse momento que estamos vivendo, planetariamente falando, todos estão sendo chamados a mudar, no aqui e agora, as cascas já não tem tempo de sair vagarosamente e estão sendo arrancadas, deixando a pele da alma em carne viva. Os paradigmas estão sendo convidados a mudar, para ontem e se não mudarmos e não nos alinharmos com as altas frequencias, as sombras que estão em seus derradeiros suspiros, se apossam e nos tiram do centro.
Sair do centro é ir para o ego e esse tanto nos coloca para além do que somos, ou nos diminui e a responsabilidade é apenas e somente nossa, que abrimos as portas e nos negamos a olhar com os olhos do coração todos os movimentos que o universo faz para que sigamos pela Luz.
Há muitos seres sendo atingidos pelas baixas frequencias e pensam estar sendo atuados por magias negativas de outros, pensam estar sendo castigados, quando na realidade estão apenas colhendo a semeadura que escolheram fazer e, não se abrem para a possibilidade de mudar. O orgulho não permite.
Necessária entrega nesse caminho é a da humildade.
Humildade para mudar, pois até as pedras se permitem ser mudadas pelos ventos que sopram e lapidam suas arestas, pelas águas que batem nas costeiras, moldando as pedras e tornando suas formas mais arredondadas, sem pontas, sem cantos.
Nossas almas precisam se entregar aos ventos da mudança e às águas da purificação, de forma consciente. pois quer queiramos ou não esse movimento vai acontecer, isso é estar no caminho espiritual. Estarmos disponíveis para a evolução e ela passa por lapidarmos quem estamos, para voltarmos a Ser quem realmente Somos.
Seres de Luz que durante a jornada, nos esquecemos do brilho de nossas almas.
Caminhar o caminho espiritual requer entrega, humildade, consciencia de estar a serviço de algo Maior do que nossa mente que pulsa na onda humana pode muitas vezes compreender.
Caminhar o caminho espiritual, é curvar-se ao amor, pelo bem maior, entendendo que humildade não é se diminuir ou se vangloriar, é estar disponivel para a sabedoria se manifestar!
Fácil? Não.
Mas o impossivel é apenas o dificil que não foi feito.
Você está disponível, para ser você nesse caminho?
Com Calma, Carinho e Coragem.
Sem perder a Força, o foco e a Fé!


Rose Kareemi Ponce