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10/11/2018




Ando cansada de como você reage com as coisas.
Cansada de você!
Preciso me curar dessa sua lucidez. Excessiva lucidez.
Você precisa de um toque de loucura, de insensatez.
Precisa mergulhar nua a noite. Mesmo que seja na piscina.
Você precisa soltar os cabelos. Deixá-los voar como seus sonhos.
Estou cansada da sua postura comedida. Do seu medo de gritar na cara do outro e mandar calar a boca. Parar de encher sua cabeça de palavras soltas.
Estou de saco cheio dessa sua mania de querer tudo perfeito. A perfeição existe somente em seus olhos.
Olha. Chega mais perto. Nem você é perfeita. Há imperfeições na vida. Elas nos ensinam a caminhar.
Para de pensar no mundo perfeito e querer ser a fada madrinha de todos. Consiga caminhar coerente com suas palavras e o mundo já estará livre de sua desarmonia.
Mais do que isso é puro ego querendo ser o que sequer imagina. Apenas tem um rascunho do que sonha ser. Desenhado em papel de pão.
Estou cansada de seu passo lento. Quero correr pelos campos e sentir o perfume de todas as flores. Você tem se permitido ser lenta demais. Eu quero a velocidade do tempo da vida.
Abra os braços e voe. Pule do abismo e permita-me ser livre.
Eu aqui rompo as correntes da certeza, da razão, do equilíbrio. Quero poder pisar em areia movediça e sair vitoriosa. Quero tentar.
Não vou me permitir ficar presa a imagem ou memória do que não sou mais.
Fique aí. Estática.
Fique.
Não tenha coragem.
Eu sigo.
Fique aí sentada olhando com esse frios olhos de quem não vive mais. Eu quero o gosto de fazer algo pela primeira vez. Me lambuzar no sorvete de chocolate ou na manga tirada do pé.
Fique aí em sua paranóia de manter a forma. Seja lá qual forma forma for a de seus sonhos, hoje você está quadrada. Eu quero ser circular para rodar por aí buscando aventuras. Rolar pelos solos de países e mundos que talvez nem existam. Só vou descobrir indo...rodando.
Fique aí sentada.
Alimentando fantasmas que saem arrastando correntes. Saem do seu coração e povoam sua casa. Durante toda a noite.
Eu vou dançar ao sol. Brilhar nos dias livres que ainda tenho nesta vida.
Libertar meu espírito das maldições que corroem a família, os olhos, o coração..
Fique.
Eu sigo o rio.
Despediu-se daqueles olhos.
E então, ela levantou-se de frente do espelho. Virou-se.
Seguiu!
Foi alí, ser feliz. E não volta...





Rose Kareemi Ponce

08/11/2018




Sou um pequeno grão de areia
Mas se olhar bem de perto
Me desmancho em outros milhões de partículas
Desço aos abismos, aos túmulos
Me misturo a outros grãos
Memórias de seres de luz e sombras
Subo ao céu e danço com anjos
Abraço os santos
Viajo pelo infinito dos tempos
Mergulho nas lembranças de amor dos poetas
Não tenho forma, apenas cor
Sou leve como as penas dos pássaros que observei em vida
Encontro estrelas e brilho com elas no firmamento
Sou como a gota de água que mergulha nos oceanos
Nado com os mais belos seres aquáticos
Canto com as baleias e golfinhos
Sou a pérola que se forma na ostra, moldada na dor
Desenho caminhos por onde passo
Sou o som dos cometas rasgando a escuridão
Deixando um rastro de outras poeiras
Espalhando no ar o amor que guardei
Sou um grão...me desmanchando em milhões de outros grãos
E cada micro partícula encerra em si
O segredo da vida
O milagre da existência..
Deus nasce e vive em mim....para poder
Se manifestar através de mim
Sou um grão....
Misterioso universo pulsante
Nas batidas do meu coração

Rose Kareemi Ponce

Aqui está uma conquista.
Caminhei por muitos caminhos e decidi por mim mesma publicar um livro. Já que as editoras não estão fazendo, nos cozinham em banho Maria, prometem e não cumprem. 
Aqui está meu presente para todos!
Breve, farei mais um apanhado para publicar!
Segue o link para compra no Clube dos Autores!
Gratidão e sejam bem vindos ao meu local sagrado!




Porque temos medo do silêncio?

Porque sofremos tanto com a solitude?

Ambas as perguntas tem apenas uma resposta: Porque temos medo de saber quem realmente somos.

Silêncio permite que nossa alma se comunique com nosso coração, trazendo aprendizados e crescimento espiritual, isso nos apavora profundamente.

Solitude nos traz o silêncio, conseqüentemente, estaremos nos conectando com nossa alma e coração.

Temos medo de crescer e assumir nosso “tamanho”. Temos medo porque somos ensinados o tempo todo sobre o ego, mas esquecem de nos dizer que ele além de nos fazer ver maiores do que somos, também nos faz menores, negando assim nosso tamanho e grandeza espiritual.

Temos medo de crescer e sair da nossa zona de conforto. Passamos a vida espremendo pedras para sanar nossa sede, mas não damos um passo sequer em direção ao rio. A correnteza nos assusta, porque nos ensina a fluir. Mostra-nos que não podemos ser contra ela, morreríamos afogados. Mas nos ensina que podemos usar todo sua potência a nosso favor, fazendo com que a correnteza nos leve, aos locais que precisamos ir. Fluir....na vida!

Temos medo da solitude porque somos ensinados que não podemos caminhar sós. Claro que a cooperação e a colaboração nos são absolutamente necessárias, porém saber caminhar sobre nossos próprios passos é o maior de todos os aprendizados. Solitude, não é solidão, é a capacidade de lidarmos com nós mesmos. Nosso silêncio, nossos barulhos, não depender emocionalmente de ninguém porque isso é uma forma de vampirização da energia do outro em benefício próprio, para tapar nossos buracos, medos, desejos.

Temos medo do silêncio, como temos medo do escuro. Há monstros dentro dele. Mas são nossos monstros e precisam ser encarados, acolhidos e colocados de volta em seus locais de origem, assim deixam de ser assustadores para simplesmente termos a consciência de que é parte de nós manifestada de forma inconsciente. Nossas sombras podem ser nossos maiores aliados, se conseguirmos olhar sem julgamento e dogmas para elas. Mesmo o medo, é um termômetro, mas jamais deve ser um agente paralisador porque pode nos ajudar a caminhar o caminho, com cautela e cuidado.

Quando começamos a olhar tudo isso de forma prática e tranqüila, buscando a harmonia, começamos a descobrir o véu que nos cega e então percebemos que a luz não guerreia, ela não briga, ela não quer controle, nem mesmo razão. A luz tem um único propósito: Ela ilumina. Pra isso ela avança sobre o medo não como quem vem dominá-lo, mas trazer-lhe calor de colo, assim ela passa por frestas, buracos, e chega onde tiver de chegar. Mas a luz jamais entra em combate. A luz é mensageira divina e só faz amar.

Quando entramos nessa senda, desse amor, em absoluto respeito e silêncio, porque o silêncio do cansaço das lutas se faz necessário, compreendemos que tanto a solitude, o silêncio e observação, são mestres para caminharmos efetivamente na jornada da Luz.

Saímos da roupagem de guerreiros, porque a luz não nos quer guerreando e a trocamos por peles nuas. Sem máscaras, adornos. Apenas Nós e a Luz. Apenas a Luz e Nós. Sem servos ou senhorios. Apenas aprendizes que estão realmente prontos, encontram seus professores que também são temporários, pois precisamos seguir o fluir do rio...e aprendemos o que precisamos para seguir jornada. Apenas isso.

O silêncio. A solitude.

Não querer mais ser guerreiro.

Entender que a luz não guerreia. Ela apenas É!

Quem guerreia, ainda caminha na penumbra!

Luz!

Sem medos.

Sendo quem viemos para ser. Sendo quem realmente somos.

Candeeiro de Luz na jornada de Todos!!

Rose Kareemi Ponce

(por gentilza, compartilhem no Facebook com os devidos créditos)

06/11/2018



Caminhamos neste aqui e agora, todos nós, buscando equilíbrio em nossos passos, porém o que não consideramos é que ao buscarmos o equilíbrio, estamos sempre apontando nossa bússola para a mudança.

Equilíbrio é o exato ponto onde nos encontramos entre o caos e a ordem. A fração de segundo antes de romper a imagem perfeita em pequenos fractais, nos desconstruindo.

O Equilíbrio não existe realmente. Porque quando essa imagem se forma, ela já se destrói para que possamos reconstruir sem os gatilhos que nos fazem buscar essa sensação de estarmos “equilibrados”, ou fora de perigo.

O que precisamos buscar dentro é o caminho da harmonia, substantivo feminino de origem grega que significa concordância, consonância, conciliação, concórdia. São esses sentimentos que devemos ter em nosso interior e nos guiar nos caminhos que vão se formando em nossa jornada, levando nossa alma aos aprendizados que ela necessita para a evolução. E isso é pessoal, portanto cada ser deve buscar o que traz harmonia para si e caminhar sob essa freqüência.

Quando o “Equilíbrio” chega, ou seja, quando conseguimos observar a vida como um quadro, tudo acontecendo muito parecido, ou repetindo padrões, estar atentos se faz necessário, pois é nesse ponto que acontece a fração, o rompimento e o que chamamos de caos ou, noite escura da alma. É nesse ponto que a mudança nos chama, pois já aprendemos com essa imagem, esse “quadro” e precisamos seguir, ou ficaremos presos em zona de conforto. O universo nos permite ficar nessa zona por tempo determinado, se não saímos por escolha, sairemos por determinação. No amor ou na dor...O mais interessante, é que sentimos quando estamos na zona de conforto e sentimos que precisamos parar, observar e mudar os passos, mas, a mente adora as zonas de conforto e nos faz querer ficar e ficar e é exatamente aí, que entramos na dor. Porque queremos controlar o incontrolável: o destino!

Para não sentirmos dor ao depararmos com o “fracionamento” da imagem perfeita, precisamos compreender que não podemos segurar o curso de um rio, mas, se ao contrário disso nos entregarmos a esse curso e usar toda energia dele a nosso favor e perceberemos que temos todo o poder do universo em nossas mãos e receberemos as ferramentas necessárias para nossa mudança. Porque ela vai acontecer quer a gente queira ou não.

Seguir o fluxo e ficar em harmonia.

Estar em harmonia faz nossa música fluir com a música do universo, ao invés de atrapalharmos a sinfonia da vida.

Estar em harmonia faz nossa freqüência vibrar junto à freqüência dos sons da natureza, e começamos a compreendê-la e nos comunicarmos com ela.

Estar em harmonia faz com que nossa caminhada seja puro aprendizado.

A harmonia perfeita nos faz seguir o rio e sua correnteza sem que nosso barco vire.

O equilíbrio faz que tenhamos controle e assim a correnteza não compreende nossa mensagem e nos derruba. Porque somente o rio pode controlar...nós apenas navegamos a vida. Em harmonia com ela e com sua música.

Harmonia!


Rose Kareemi Ponce

(por gentileza compartilhem no Facebook com os devidos créditos)