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20/11/2018



Só quem caminha do seu lado e tem a consciência de te ouvir sem julgamentos, saberá profundamente de suas dores e dificuldades. Além de seus sonhos e amores..
Isso é para poucos.
Isso é para muito poucos. São para os amigos verdadeiros.
Os que assim o fazem iluminam seu caminhar na noite escura e renascimento de tua alma!
Bom dia!

Rose Kareemi Ponce


Xamanismo não é uma religião, não da forma como as pessoas estão acostumadas. É a escolha de uma postura diante de um caminho e sim, isso nos conecta ao Divino, pois quanto mais nos libertamos das amarras dos dogmas, mais livres para sentirmos estamos, e sentir, nos faz enxergar tudo como sagrado e nos faz por escolha, não por medo de castigos, querer ser sempre uma boa pessoa.
Ser uma boa pessoa é: desejar, fazer e falar ao outro, tudo o que gostaríamos que desejassem, fizessem e falassem a nós mesmos, porém, nos mantemos na mesma estrada ainda que assim não fosse. Porque o caminho do xamanismo sempre nos faz olhar para dentro, ou seja, Eu tenho a responsabilidade de ser a melhor pessoa que eu puder. Ponto.
Xamanismo é um caminho.
A religiosidade nasce na caminhada. Na escolha de ser o rezo.
Na escolha de compartilhar o rezo!


Rose Kareemi Ponce

Imagem: 1 Encontro de Benzedeiras e Curandeiros de Minas Gerais - 2018

A mulher selvagem

Toda mulher que não se domesticou e mantém-se em harmonia com sua essência é uma mulher livre.
Livre das etiquetas que a sociedade lhe impõe.
Livre para correr pelas pradarias e florestas pisando descalça pelos terrenos que a ensina a conhecer sua jornada.
Percebe espinhos, perfumes e cores.
A mulher selvagem voa junto aos grandes gaviões aprendendo a observar a vida atentamente, rastreando como a onça os inimigos e os alimentos para que sua alma cumpra seus contratos. Vive a magia da sutileza ao felinamente se espreguiçar a beira rio, se encantando com sua própria figura delineada pelo sol e sombra, sabendo que são partes de si mesma.
A mulher selvagem tem nos olhos os ensinamentos da coruja, que aprende ao observar a noite escura sem medo e é senhora absoluta de si.
A mulher selvagem tem a força dos grandes mamíferos, que pisam firme sobre a terra.
Ela é também a dançarina da noite e uiva, qual loba espreitando a lua.
A mulher selvagem vibra com as ervas que encontra e se cobre de proteção e rezos.
A mulher selvagem não guerreia pois tem a certeza de que tudo acontece na colaboração de todos os seres.
A mulher selvagem rola feito felina que é no orvalho que repousa nas folhas, e faz disso sua medicina.
A mulher selvagem solta os cabelos e neles guarda as memórias dos dias já vividos mantendo assim sua força.
A mulher selvagem quando necessário, trança os mesmos cabelos prendendo a tristeza e no alto da colina os solta, pedindo ao vento que leve embora ao mais longínquo tempo, deixando apenas as lições aprendidas.
A mulher selvagem não é de todo brava nem de todo calma. É a exata medida do que pede sua alma desperta. Se precisar rugir, vai rugir. Uivar, vai fazê-lo, e saberá docemente cantar como os sabiás laranjeira nas primaveras floridas. A mulher selvagem se multiplica em muitos assim a jamais perder-se de quem é.
A mulher selvagem pinta a face e dança na fogueira...entrega ao sagrado fogo o que precisa transmutar, e não se sente vazia com isso. A plenitude a chama a cada respiração.
A mulher selvagem é a exata medida do desvario. Sem medo ou culpa por sua inconstância...feita de fases, sabe-se um ser não linear, e se honra por isso.
A mulher selvagem olha de frente, e quem sustenta seu olhar encontra constelações de amor dançando em sua íris. Ou se entrega, ou foge com medo de sua intensidade.
A mulher selvagem dança com lobos e caça com as onças, nada com os botos, voa com os gaviões e condores, hiberna com os ursos, brinca com os beija flores, serpenteia sua veste e se esconde por entre as folhagens...a mulher selvagem é tudo o que ela se permite ser.
A mulher selvagem aprende e compartilha o que sabe, fortalecendo as companheiras de jornada.
A mulher selvagem encontra seu lugar de poder e ali faz morada, mas não constrói muros, eleva pontes. Se faz elo.
A mulher selvagem apenas É, sem nada precisar provar.
A mulher selvagem tem um pouco de Isis, de Madalena, de Maria, de Iara, de Jurema....e nessa mistura encontra muito dela mesma!!

Rose Kareemi Ponce

15/11/2018



Somos engolidos diariamente e não nos damos conta disso. Seguimos tão no automático que, só despertamos quando algo quebra. Nos pára. Na marra.
Somos engolidos pela raiva alheia. Pela necessidade de ter razão. Somos engolidos cada vez que atendemos o chamado de alguém que nos diz o que sentir e como sentir, o que falar e como falar.
Eu pessoalmente senti isso profundamente apenas quando literalmente quebrei. Meu tornozelo foi a vítima e meu sinal.
Pare!
Observe atentamente o que tem feito e com quem. Porque atender as expectativas alheias?
Porque precisa ter opiniões sobre todas as coisas e, ainda que as tenha, qual o real motivo para expo-las?
Porque?
Porque ouvir as pessoas quando dizem que você está certa ou errada?
Porque ouvir quando elas te dizem que gostam de você assim ou assado?
Porque ouvir quando elas dizem que você é melhor no perfil esquerdo ou direito?
Ouvimos e o pior, atendemos porque ainda não estamos satisfeitos com nossa real imagem e porque queremos ser aceitos. Não como somos, mas ser aceitos, de qualquer forma.
Porque nos permitimos ser preenchidos com a indignação alheia?
Esses últimos meses foram exemplo clássico disso na minha vida.
Ouvi muitas coisas como essas: linda, feia, raivosa, etc...etc...etc...
Ouvi que mulher não deve ser assim ou assado...
Ouvi que uma Benzedeira pode ou não pode.
Ouvi tanto, que me afastei de mim mesma.
Porque temos de dar  palpites na vida e no comportamento alheio?
Porque temos de moldar o outro a nossa imagem e semelhança?
Quanto ouvi de pessoas queridas que eu devia mudar ou que eu era mara....que eu era ou não era, isso ou aquilo.
E quanto eu mesma fiz isso com outros.
Como posso caminhar no amor incondicional se condiciono o outro a ser o que ele não é apenas para caber nas minhas limitações?
Quando me permito expandir, deixo de olhar o outro como espelho ou modelo, porque fico satisfeita comigo mesma. Paro de encher o saco e apenas me observo dentro de um universo de possibilidades e as escolho segundo meu próprio EU.
Damos pitaco em tudo.
Mexemos no caldeirão do próximo.
Ditamos regras e vomitamos insatisfações.
Olhamos o externo o tempo todo e esquecemos de nos organizar por dentro. O amor dentro está fora de ordem.
O silêncio do não manifestar opinião, da não razão, da não lucidez é proveitoso, ensina, acrescenta e engrandece.
A observação das estradas percorridas, das pegadas, como rastreadores nos faz maiores do que o olhar curioso sobre a vida dos passantes. Só aprendemos realmente quando olhamos para dentro... Temos grilos falantes suficientes para ainda querermos dar conta dos grilos das mentes dos outros....
Quando voltamos para nós mesmos percebemos que sim, temos direito ao grito, ao palavrão, ao silêncio, ao não, temos direitos que vamos nos negando por medo da não aceitação do outro. FODA-SE.
Apenas nós compreendemos nossos sentimentos e sabemos a hora que precisamos gritar.
Apenas nós sabemos quando nosso copo enche e é necessário esvaziar.
Porque precisamos ainda hoje sermos as "damas" sem expressão ou vontade, sendo apenas o que os outros desejam de nossas ações e reações?
Porque não podemos apenas chutar o pau da barraca e mandar as favas tudo o que nos incomoda?
Ainda seguimos modelos e cobramos modelos alheios.
Queremos liberdade, mas só cobramos. Dos outros e de nós.
Acho que a maturidade nos faz soltar amarras. Mesmo que seja quebrando coisas.
    Ossos por exemplo.

Rose Kareemi Ponce

11/11/2018



As pessoas não têm medo de você.
Elas têm medo de suas asas!
Liberdade de ser, assusta os prisioneiros!

Rose Kareemi Ponce