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31/10/2019


Como está sua relação com o sagrado?
Como você entende o sagrado?
Como anda sua relação com a gratidão?
A gratidão é a chave mestra para todas as coisas em nossas vidas. Ela abre portas, janelas, escancara possibilidades e reinicia portais, abrindo um leque de novidades em nossas jornadas pessoais.
Você cuida das teias que se formam na sua casa, ou fica apenas "observando" pra ver quem tira? Pois na sua concepção, os outros tem mais deveres do que você, e seus direitos são intocáveis, principamente o da crítica.
Você agradece a louça que lava?
Ela é o indício que houve alimentos no prato e saciou ainda que minimamente, sua fome.
Você agradece a casa que limpa, o chão que varre, a roupa que lava?
Sim, agradecer, pois se há tudo isso para fazer é porque somos abençoados com o presente de termos um teto que nos protege do frio, chuva e do sol escaldante e que temos roupa para cobrir nossos corpos e protegê-los das teperaturas loucas que andam fazendo neste planeta tão maltratado por nossa indiferença.
Você agradece o fogo em seu fogão? Ou no automático da estrada, esquece que ele nos relembra a presença Sagrada do Divino em nossas casas, como antigamente...
Você agradece os seres que compartilham da vida com você, debaixo do mesmo teto, ou apenas vê os defeitos que cada um tem, esquecendo todas as famílias tem seu lado estranho...se olharmos de perto, ninguém é realmente "normal"!
Você faz seu rezo agradecendo ou ainda caminha na mendicância espiritual, pregando aos quatro ventos que atraímos o qe vibramos....
Sagrada são todas as formas de existência, todas as coisas que nos acontecem, todos os dias que amanhecem e anoitecem, sagradas são todas nossas experiências, todos encontros e todos desencontros.
Sagrado é Tudo.
Uma barata não é mais sagrada que um beija flor, apenas vibram em frequencias diferentes.
De nada adianta ritos, poses para fotos, falas impecáveis....
Como anda sua relação com o sagrado, no íntimo, quando ninguém mais vê?
O que é sagrado pra você?

Rose Kareemi Ponce

04/07/2019


Minha infância não foi perfeita, penso que a de ninguém foi.
Porém somos a soma de todos os eventos, escolhas que tive e esquinas que virei.
Escolhi não carregar mais dores, escolhi fazer de todos acontecimentos, aprendizados para subir a montanha da vida. Seria fácil sim ficar chorando, mas minha criança não queria mais as lágrimas ou os cantos escuros, ela queria o encantamento da dança com as flores, do rodopio com o vento, do carinho das árvores. Ela queria o cheiro do jasmim nas noites estreladas e o brilho das fadas entregando potes doces de aventura e sonhos. Minha criança carregava no peito o som de todos os corações que ela acolheu em suas cirandas, enquanto cantava as canções que embalava os encantados que ela sabia, existiam escondidos no jardim de seus sonhos!
O encantamento salvou minha criança, fez ela dançar suas dores e cantar para os espíritos guardiões e esses, davam as mãos num sinal de presença.
Entreguei meus sonhos aos encantamentos...entreguei meus encantamentos aos sonhos e numa dança perfeita cresci!
Não, minha infância não foi perfeita, longe disso. Mas certamente minhas escolhas fizeram meus sonhos seguirem seguindo sendo sonhos!


Rose Kareemi Ponce

08/04/2019



Era uma casinha escondida por entre flores e árvores frutíferas. Um cantinho perfumado ali, no fim da rua.

Dona Maria, ou Domaria como diziam os mais próximos, num diminutivo aquecedor do coração.

Era um pedacinho de céu em meio ao tumulto da vida, um silêncio que acolhia um abraço que se fazia lar.

Ali as velas acesas no altar iluminavam também os passantes, que se achegavam para receber um rezo uma benção. O cheiro de alecrim e arruda inundava o ar e as rosas que bailavam ao vento no portão, guiavam os irmãos que necessitavam de seus cuidados até sua porta.

Era uma casinha escondida das maldades e mazelas. Ela se abria apenas para os corações prontos para receber amor e para os que ainda estavam adormecidas a sombra do medo e da raiva, não encontravam... uma neblina era tecida pelos anjos guardiões que cegava a maldade e nenhuma chegava até ela

Seu coração era tão puro, tão bondoso que estar perto dela já era um rezo maravilhoso e quem a conhecia não queria mais sair de sua presença doce.

Ela dizia a todos que essa era sua missão nessa terra, levar o amor e servir a Deus, estendendo as mãos.

Assim era sua vida, um entender mãos e acolher dores, mas engana-se quem acredita que ela ficava com o peso das cicatrizes que rezava. "Qeimo tudo no fogo sagrado fia, faço fogueira, "ponho um cadim" de tabaco pro rezo e a fumaça leva tudo e das cinzas faço pó pra purificar mais dores, assim fia nada fica, tudo vai embora encontrar seu lugar nos livros da vida"!

Domaria, era uma indiazinha pequena, só por causa do tamanho franzinho, mas uma rezadeira imensa. O perfume de sua alma era sentida longe.

Não tinha telefone, computadores nem campainha. Quando quer falar com algúem, manda um beija flor cantar na janela! "É a presença divina que aparece fia, e chama quem eu preciso encontrar"!

Domaria, com suas mãozinhas pequenas ensina que o amor não deve ter olhos de gente, precisa ter olhos de anjo, pra ver todos como irmãos. Somente assim o rezo é verdadeiro e nasce do coração. "Olho de gente amarga", ela diz...

As "Domaria", as casinhas escondidas, os olhos de anjo...são tesouros que precisamos resgatar para salvar a nós mesmos, de nós mesmos!

Rose Kareemi Ponce

02/04/2019





O silêncio

Hoje fechando os olhos enquanto o vento batia nas folhas da mangueira aqui em casa, percebi o silêncio. Senti esse "ser" que passa sem que muitas vezes percebamos o valor que ele tenta nos passar e as lições que ele traz.
Como boa pisciana, voei longe em meus pensamentos enquanto os olhos continuavam fechados, apenas sentindo o vento em mim e nas folhas.
Percebi o valor imensurável dessa entidade que no cobre qual manto de Mãe, permitindo que o universo se desenhe dentro de nós.
O silência é capaz de conter todas as coisas e se guardar, sem alardear, expor. Ele apenas sabe. Precisa Ser com ele, para captar todas as sabedorias, ouvir todos os anciões, apender com todas as memórias que nele se encerram, guardam, perpetuam!
Somente no silêncio conseguimos ouvir o som das águas e cada nota que ela emite ao tocar na folhas, pedras, peixes e raízes do caminho. Ela conversa com todo os que nela pulsam e leva suas histórias por todas as margens, à todos os ribeirinhos, às profundezas e os encantados.
Somente no silêncio podemos ouvir a voz que ecoa nos vales e montes, onde repousam os anciões. Guardiões dos passos de todos os visitantes, suas dores, buscas e entregas, Guardiões de todos os sonhos, amores. Os que entregam ao vento as mensagens dos lados de lá de longe, onde a sabedoria repousa, silenciosamente aguardando os aprendizes que chegam para curar almas e levarem consigo sementes de paz!
Somente no silêncio ouvimos o fogo crepitando em suas chamas, as falas do Espirito. Presença Sagrada essa que nos aquece, ilumina e guia por essas bandas dos lados de cá!
É no silêncio que somos pontes para os sonhos se manifstarem em sementes e formas diversas: o som de um cello só existe porque há um silêncio que ecoa suas notas. O riso de uma criança não será ouvido, se o silêncio de um coração acolhedor, não o recebesse como benção!
O silêncio traz o som do coração para dentro do peito!
Os sons são maravilhosos, mas os silêncios....são divinos!
Pura totalidade!
Pertencimento!
Voltando a terra, a pisciana percebe o som da vida em casa: panelas borbulhando, pássaros cantando, o cachorro ao longe conversando com o vizinho sobre s acontecimentos da noite...o riso da familia! O som das palavras da familia reunida na noite anterior,
No eu te amo do café da manhã!
O silêncio, é o ócio criativo da alma e a ponte para o Divino, tenha ele(a) o nome que tiver!
Silêncio e rezo. Acho que um pertence ao outro e se competam!
Divagações de uma pisciana!


Rose Kareemi Ponce