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04/07/2019


Minha infância não foi perfeita, penso que a de ninguém foi.
Porém somos a soma de todos os eventos, escolhas que tive e esquinas que virei.
Escolhi não carregar mais dores, escolhi fazer de todos acontecimentos, aprendizados para subir a montanha da vida. Seria fácil sim ficar chorando, mas minha criança não queria mais as lágrimas ou os cantos escuros, ela queria o encantamento da dança com as flores, do rodopio com o vento, do carinho das árvores. Ela queria o cheiro do jasmim nas noites estreladas e o brilho das fadas entregando potes doces de aventura e sonhos. Minha criança carregava no peito o som de todos os corações que ela acolheu em suas cirandas, enquanto cantava as canções que embalava os encantados que ela sabia, existiam escondidos no jardim de seus sonhos!
O encantamento salvou minha criança, fez ela dançar suas dores e cantar para os espíritos guardiões e esses, davam as mãos num sinal de presença.
Entreguei meus sonhos aos encantamentos...entreguei meus encantamentos aos sonhos e numa dança perfeita cresci!
Não, minha infância não foi perfeita, longe disso. Mas certamente minhas escolhas fizeram meus sonhos seguirem seguindo sendo sonhos!


Rose Kareemi Ponce

08/04/2019



Era uma casinha escondida por entre flores e árvores frutíferas. Um cantinho perfumado ali, no fim da rua.

Dona Maria, ou Domaria como diziam os mais próximos, num diminutivo aquecedor do coração.

Era um pedacinho de céu em meio ao tumulto da vida, um silêncio que acolhia um abraço que se fazia lar.

Ali as velas acesas no altar iluminavam também os passantes, que se achegavam para receber um rezo uma benção. O cheiro de alecrim e arruda inundava o ar e as rosas que bailavam ao vento no portão, guiavam os irmãos que necessitavam de seus cuidados até sua porta.

Era uma casinha escondida das maldades e mazelas. Ela se abria apenas para os corações prontos para receber amor e para os que ainda estavam adormecidas a sombra do medo e da raiva, não encontravam... uma neblina era tecida pelos anjos guardiões que cegava a maldade e nenhuma chegava até ela

Seu coração era tão puro, tão bondoso que estar perto dela já era um rezo maravilhoso e quem a conhecia não queria mais sair de sua presença doce.

Ela dizia a todos que essa era sua missão nessa terra, levar o amor e servir a Deus, estendendo as mãos.

Assim era sua vida, um entender mãos e acolher dores, mas engana-se quem acredita que ela ficava com o peso das cicatrizes que rezava. "Qeimo tudo no fogo sagrado fia, faço fogueira, "ponho um cadim" de tabaco pro rezo e a fumaça leva tudo e das cinzas faço pó pra purificar mais dores, assim fia nada fica, tudo vai embora encontrar seu lugar nos livros da vida"!

Domaria, era uma indiazinha pequena, só por causa do tamanho franzinho, mas uma rezadeira imensa. O perfume de sua alma era sentida longe.

Não tinha telefone, computadores nem campainha. Quando quer falar com algúem, manda um beija flor cantar na janela! "É a presença divina que aparece fia, e chama quem eu preciso encontrar"!

Domaria, com suas mãozinhas pequenas ensina que o amor não deve ter olhos de gente, precisa ter olhos de anjo, pra ver todos como irmãos. Somente assim o rezo é verdadeiro e nasce do coração. "Olho de gente amarga", ela diz...

As "Domaria", as casinhas escondidas, os olhos de anjo...são tesouros que precisamos resgatar para salvar a nós mesmos, de nós mesmos!

Rose Kareemi Ponce

02/04/2019





O silêncio

Hoje fechando os olhos enquanto o vento batia nas folhas da mangueira aqui em casa, percebi o silêncio. Senti esse "ser" que passa sem que muitas vezes percebamos o valor que ele tenta nos passar e as lições que ele traz.
Como boa pisciana, voei longe em meus pensamentos enquanto os olhos continuavam fechados, apenas sentindo o vento em mim e nas folhas.
Percebi o valor imensurável dessa entidade que no cobre qual manto de Mãe, permitindo que o universo se desenhe dentro de nós.
O silência é capaz de conter todas as coisas e se guardar, sem alardear, expor. Ele apenas sabe. Precisa Ser com ele, para captar todas as sabedorias, ouvir todos os anciões, apender com todas as memórias que nele se encerram, guardam, perpetuam!
Somente no silêncio conseguimos ouvir o som das águas e cada nota que ela emite ao tocar na folhas, pedras, peixes e raízes do caminho. Ela conversa com todo os que nela pulsam e leva suas histórias por todas as margens, à todos os ribeirinhos, às profundezas e os encantados.
Somente no silêncio podemos ouvir a voz que ecoa nos vales e montes, onde repousam os anciões. Guardiões dos passos de todos os visitantes, suas dores, buscas e entregas, Guardiões de todos os sonhos, amores. Os que entregam ao vento as mensagens dos lados de lá de longe, onde a sabedoria repousa, silenciosamente aguardando os aprendizes que chegam para curar almas e levarem consigo sementes de paz!
Somente no silêncio ouvimos o fogo crepitando em suas chamas, as falas do Espirito. Presença Sagrada essa que nos aquece, ilumina e guia por essas bandas dos lados de cá!
É no silêncio que somos pontes para os sonhos se manifstarem em sementes e formas diversas: o som de um cello só existe porque há um silêncio que ecoa suas notas. O riso de uma criança não será ouvido, se o silêncio de um coração acolhedor, não o recebesse como benção!
O silêncio traz o som do coração para dentro do peito!
Os sons são maravilhosos, mas os silêncios....são divinos!
Pura totalidade!
Pertencimento!
Voltando a terra, a pisciana percebe o som da vida em casa: panelas borbulhando, pássaros cantando, o cachorro ao longe conversando com o vizinho sobre s acontecimentos da noite...o riso da familia! O som das palavras da familia reunida na noite anterior,
No eu te amo do café da manhã!
O silêncio, é o ócio criativo da alma e a ponte para o Divino, tenha ele(a) o nome que tiver!
Silêncio e rezo. Acho que um pertence ao outro e se competam!
Divagações de uma pisciana!


Rose Kareemi Ponce

14/03/2019





Tá chegando!
A ansiedade aqui bate forte em rever essas mulheres maravilhosas que fazem parte da teia da minha vida!
Amo cada uma delas e as tenho como irmãs, amigas, companheiras, mestras.
Vem com a gente nesse encontro lindo!


Dia 17 de março de 2019 Das 14h as 18hs.
Programação
14h - abertura;
14h30 - O Despertar do Sagrado do Humano - com Rose Kareemi Ponce
15h10 - O Despertar feminino pelo Conselho das Anciãs das 13 Luas - com Daosha Pássaro Alegre
15h50 - Teko Porã, sensível sabedoria do bem viver - com Cristine Takuá
16h30 - Harmonia com a Natureza. Meditação de reconexão para a cura da Terra - com Vanessa Hasson
17h10 - Encerramento

Colaboração espontânea em dinheiro na entrada do evento.
Sugestão traga 1kg de alimentos para doação à Aldeia dos Silveiras

Teremos venda de artesanato e vestimentas tradicionais dos povos indígenas brasileiros e andinos, além de produtos naturais e medicinais.