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06/12/2017








Às aspirantes à curandeira

As dores dos abusos só cessam quando somos acolhidas e ouvidas.
Não ter paciência para ouvir a história da outra com amor é dizer: não me importo com você.
Não queira ser curandeira, se não há paciência.
Não queira ser curandeira, sem acolhimento.
Não queira ser curandeira, sem saber ouvir.
Não queira ser curandeira, se teus braços estão fechados para o abraço.
Não queira ser curandeira, se não há dentro, espaço para cura, inclusive e principalmente, da sua impaciência e das suas próprias dores!
Eu te curo, quando me curo. Eu me curo, quando te curo!


Rose Kareemi Ponce

04/12/2017







Vivemos em um tempo, sem tempo para ter tempo...sem tempo para dar um tempo. Sem tempo para termos tempo.
Vivemos em um tempo, em que a pressa é movida não mais pelo tic tac dos relógios mas, pela frenética necessidade de controle do tempo, que sequer temos.
Vivemos num tempo onde respostas precisam ser mais rápidas, muitas vezes do que a própria mensagem, que ligar para quem se ama é perda de tempo e somente temos tempo para perdê-lo em aplicativos para controlar nosso tempo.
O tempo que passa, sem tempo para olhar as flores que brotam, para ouvir o canto dos pássaros, para viver o tempo do agora.
O tempo que escorre por entre os dedos e que é contado pela quantidade de atribuições que se tem e que se perde, no tempo que foi e já não volta mais.
Vivemos em um tempo, onde o tempo de ser se perde no caminho do tempo de ter.
Vivemos em um tempo, onde o "meu" tempo vale mais do que o tempo do "outro". E perdemos tempo competindo.
O tempo esse senhor de cara amarrada, nem sabe mais o tempo das coisas, só corre trecho, sem tempo para respirar....
Vivemos em um tempo, onde o tempo de amar perdeu tempo e se perdeu no mar do excesso de tempo, sem tempo pra vida!


Rose Kareemi Ponce

27/11/2017






Sobre o Despertar das Almas Benzedeiras

Nosso intento não é dar curso nem mesmo ensinar a rezar.
Nosso intento é a conscientização das pessoas, independente de gênero, a responsabilidade sobre nosso falar, sentir e agir.
Nosso intento é Despertar em cada coração o desejo de Ser a benção na vida do irmão e a assumir a auto responsabilidade sobre o que acontece no mundo, macro e micro.
Nosso intento é realizar o sonho da: "não religião", do "acolhimento", do "estender as mãos", do "ser a ajuda" que tanto esperamos e a ação viva, repleta de energia vital de amor para que curemos os corações e as almas que caminham desatentas pelo mundo.
Nosso intento é manter viva a sabedoria do ensinar pelo exemplo e de usar o verbo para o bendizer, tornar o outro sagrado através do nosso desejo de envolvê-lo em amor incondicional, ou seja, sem rótulos e etiquetas.
Nosso intento é que todos percebam onde estão e como podem ser úteis verdadeiramente e como, através do amor, podemos promover a cura de todos os males na sociedade, principalmente o mal da exclusão, da maledicência, do preconceito e do julgamento.
Nosso intento é promover o amor a todos os povos, crenças, cores, gêneros.
Nosso intento é para que possamos sair da fala e tornarmos o amor exatamente aquilo que ele nasceu pra ser: VERBO, portanto, AÇÃO.
Esse é o intento do Despertar das Almas Benzedeiras, o de promover a PAZ e a CONSCIENTIZAÇÃO de TODOS, por TODOS E para TODOS!
Nosso intento é Despertar pessoas que se importam com pessoas para serem disponíveis amorosamente a mais e mais pessoas!


Rose Kareemi Ponce

23/11/2017





Do centro do meu coração
envio fachos de luz aos outros corações
nada peço, apenas envio amor profundo
entrego meus rezos ao vento, qual sementes
e espero que elas se espalhem e se aconcheguem
que encontrem calor humano, que sintam paz
espero que os solos estejam férteis
desejo a partir de mim que o Todo se mostre a todos
Do centro do meu coração
envio fios que tecem caminhos floridos
que se unem e cobrem os peitos desabrigados
aquecendo corpos necessitados de amor
em mim a calma se apodera da alma
e quanto mais a paz se faz mais os fios se estendem
por toda extensão planetária, cobrindo a Terra Mãe
com o amor que nasce do tear do meu peito
Do centro do meu coração
nasce o desejo da cura das almas
para que se reconheçam irmãs e
enterrem sob as raizes da Samaúma
tudo o que nos separa e segrega
Assim, do centro do meu coração
vou entregando a mim mesma
num rezo por meus irmãos
curando assim as feridas
dos pés cansados das jornadas da vida
me faço instrumento e na fumaça
do petyngua desmancho em mim
o que não posso desmanchar no outro.
Do centro do meu coração
me faço luz para iluminar a estrada
onde meus irmãos vão caminhar
Do centro do meu coração
me faço passageira como o vento
me faço força como as águas
que abençoam minhas palavras,
as que nascem, do centro do meu coração...

Rose Kareemi Ponce




Caminhar o caminho da paz requer desapego de dogmas e crenças limitantes.
Caminhar o caminho da construção de um novo mundo nos faz tomar consciência de toda sabedoria que nos foi deixada como pegadas a serem seguidas, iluminando a jornada dos passos que precisam ser dados.
Respeitar toda forma de crença para que possamos viver livres de amarras de julgamento. Respeitar as tradições é passo importante para que tenhamos nossa força interior renovada, nossas raízes fortalecidas, caso contrário enfraquecemos e apodrecemos por dentro.
Sem reconhecermos nossa ancestralidade em nós mesmos, achando que ela ficou no passado e que nada temos em nós, é como negar quem somos de verdade e tudo o que nos rege o coração e a alma.
A intolerância social e religiosa que temos vivido neste momento no país, mostra que estamos perdidos em um monte de mentiras que contamos a nós mesmos. Acreditamos que para sobrevivermos precisamos destruir o que é diferente, acreditamos que somente uma verdade rege esse mundão e que uma única forma de fé pode ser a verdadeira e a que ilumina.
Vivemos um momento que pensar diferente nos torna alvo, inclusive de uma bala que nada tem de perdida, sempre tem endereço certo.
Vivemos um momento onde pessoas pensam que templos são mais sagrados do que os irmãos caminhada e que seus regentes são os proprietários da palavra divina. Ledo engano que o ego nos impõe.
A verdade que conhecemos é apenas fragmento da Verdade Maior, e nenhum humano é capaz de alcançar longe do AMOR e esse não é o mor que pensamos sentir por nossos companheiros(as), filhos(as)...porque esse ainda é amor posse. O AMOR que nos ilumina e nos nos torna grandes é o desinteressado, é aquele que sentimos pela alma humana e não pelo corpo, olhos, cheiro...é o AMOR que liberta das amarras, não nos prende em templos físicos porque a alma que AMA, voa em direção a liberdade de SER.
Estamos vivendo um momento neste país, ainda que nublado e coberto pelos véus que o poder nos coloca e muitos de nós aceita, onde a monocultura da fé e social, tem nos levado a separação por cor, crenças e ideologias políticas, como se os políticos que hoje ocupam seus cargos de PODER estivessem realmente preocupados com a massa que fica sob seus pés. Eles estão preocupados com o PODER sobre o outro, não com o PODER PELO OUTRO, numa busca pela igualdade, solidariedade e respeito. NÃO HÁ AMOR SEM RESPEITO OU RESPEITO SEM AMOR.
Vivemos um momento onde todos estão com togas de juíz e martelo nas mãos, mas apenas para massacrar o outro que pensa diferente porque seu caminhar, sua visão do mundo é diferente. Cada um tem seu próprio túnel de realidade e isso nos torna grandes quando compreendemos essa lei, porque aprendemos com os diferentes, não os combatemos.
Esses senhores querem que tenhamos a mesma forma de pensar sobre sexualidade, sobre educação, sobre cultura, sobre a sabedoria nativa, esquecendo-se que seu maior símbolo veio a esse mundo para trazer uma mensagem, que é ignorada por todos, ou quase todos: AMAI AO PRÓXIMO COMO A TI MESMO. Isso significa, respeite o outro para ser respeitado pelo outro. Aceite o outro para ser aceito. Acolha o outro para ser acolhido.
Entrar em casas de rezas indígenas e destruir foge do caminho que o Mestre deixou a seus seguidores. Destruir congás de umbanda e candomblé foge deste mesmo ensinamento.
Vivemos num tempo onde queremos ter apenas coisas e razão e enquanto isso acontecer, a PAZ estará distante de todos nós.
Que possamos nos voltar para a simplicidade do caminhar com pés descalços, onde o ego é descarregado na terra e se mantém do tamanho apenas que ele precisa estar mas, que os corações se agigantem no AMOR incondicional por todos.
Caminhamos na luz, pela luz e para a luz

Aguyjevete

Rose Kareemi Ponce

#RESPEITEMOSPAJÉS