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14/02/2018




Sobre vida!

Tenho percebido a sede que paira no ar.
A princípio, pensei eu em minha tola ingenuidade de que todos os que buscavam o Despertar, estavam realmente buscando seu caminho. Mas eu precisava aprender a lição de que, alguns ainda caminham o caminho da ilusão.
Ainda temos muitos seres que apenas querem acumular conhecimento, títulos, certificados, tronos!
Fazem cursos mil com inúmeras denominações, classificações, níveis, estágios, pagam fortunas para terem aquele determinado diploma pendurado na parede, em exibição para o público. Assim sentem-se importantes! Muitos sequer conhecem os fundamentos ou sabem se realmente existem. Quem são as bases desses saberes, de onde saíram, ou se foram apenas inventados por meros mercadores de fé para ludibriar a humanidade em seu mais profundo significado. Outros então são os que mais apontam dedos e julgam se colocam em um pedestal de sabedoria adquirida, apenas por ter um mero diplominha a mais. São os que mais têm preconceito contra os excluídos, mas levam presentinhos de Natal. São os que não gostam da cor da pele, da religião, da sexualidade, da vida do outro sendo o que é: vida do outro.
Falam mal da música, da cultura ou falta de, da beleza em todos seus padrões, excluem de suas vidas por terem cabelo “ruim”, por serem amarelos, carecas, mantendo apenas a vida num total estereótipo, mas dizem com toda certeza absoluta que não estão mais na matrix, hoje são a casta da quinta dimensão.
Valha-me Deus!
Todos querem tudo o que o papel traz e algumas horas de curso ou vivência, pensando que se tornarão experts apenas porque conseguiram um papel, mas não compreendem que há um caminho a ser seguido e apenas com pés descalços, ele nos entregará algum saber. Esse caminho apenas nos presenteará com a maestria quando houver entrega e essa entrega acontece quando largamos as mãos, quando nos deparamos com nossa vulnerabilidade e a aceitarmos, sem nos sentir menores com isso. Só seremos presenteados com o melhor do mundo, quando formos melhores para o mundo e isso passa por nos vermos como iguais a todos, passa pela delicadeza e do não julgamento, passa pelos olhos nos olhos e pelo abraço sem motivo.
De nada adianta termos todos os tipos de cursos e certificados se não nos alinharmos com o primeiro propósito de todos eles, ainda que não pratiquem em seus diários dourados de um (a) bom (a) terapeuta: “amai ao próximo como a ti mesmo”, ou seja, pratique amor incondicional!
Então, pra você que pretende fazer o Despertar ou qualquer outro curso ou vivencia que te coloque como cuida-dor do outro, pense, re-pense e veja se você está disponível a sua vulnerabilidade, pois somente assim vai compreender o amor incondicional e esse é peça chave para o Benzer, ou, se apenas está em busca de mais um diplominha. Claro que para tudo, principalmente aprendizados, há um caminho e, se vai ser longo ou curto, depende da sua entrega.
Você está disponível para sua vulnerabilidade e para entregar-se diariamente ao amor incondicional?

Rose Kareemi Ponce


...numa época de desencontros, certezas absolutas, palavras duras e corações selados, sê tu a benção no caminho dos irmãos do caminho!
Dê o amor que gostaria de receber, seja o colo doce que falta à tua dor.
Quando menos esperar, a cura acontecerá e então verás que foi tudo vendaval!


Rose Kareemi Ponce

10/02/2018




Essa semana postei uma mensagem falando sobre magia densa e sobre nossa força interior. Algumas pessoas ficaram com dúvidas sobre como se defenderem disso.
Explico:

Em primeiro lugar precisamos sair da nossa auto importância em acharmos que o mundo sempre quer fazer mal para nós. Que sempre tem alguém querendo prejudicar, mandar magia, etc. Não somos o centro do universo, nem eu, nem você, ou seja, não atraimos para nós todos os olhares do mundo, não somos os "pica das galáxias" para que o mundo esteja ao nosso redor querendo algo de nós ou para nós!
Em segundo lugar, há muita crença envolvida nisso e sinto que está na hora dos senhores(as) religiosos começarem a falar para seus seguidores(as), estudarem. E muito.
Quando fiz teologia e sacerdócio de umbanda, percebi que os filhos neófitos começam a criar uma mente aberta para as magias, pois se tropeçam, é magia; se batem o dedinho do pé no canto da mesa, é magia, se sofrem é magia. Bora assumir a responsabilidade pela própria vida?
Temos uma ordem para as coisas. Há uma Lei Maior e Uma Justiça divina que rege as coisas, ninguém tem esse "poder" de fazer tanto mal às pessoas, a não ser que o individuo dê poder e acredite no poder dessas pessoas.
O fato de alguém querer nos prejudicar não dá poder a ela de nos prejudicar. Apenas quando eu abro a porta interna e me coloco na mesma frequencia dessa pessoa é que recebo as energias.
Entendam, energia é igual a informação, que vibra em determinada frequencia e quando alguém reza ou ativa uma determinada magia, está vibrando na frequencia do seu sentir e para que a mesma nos atinja, precisamos estar vibrando na mesma frequencia com informações sendo emanadas de nós que sejam "parecidas" ou seja, precisamos entrar na mesma sintonia.
Se eu recebo uma magia de outra pessoa, é porque estou na mesma linha, vibrando no mesmo tom. Tenho em mim sentimentos e emoções em afinidade com os sentimentos da pessoa que me enviou a demanda. Então, se eu me mantenho vibrando em frequencia diferente, emanando paz, amor, perdão, compaixão, ou seja vibrando uma oitava acima, não sou atingida. As sombras não conseguem se elevar até a luz mas, a luz consegue diminuir e chegar no mesmo nivel das sombras.
Os terreiros de umbanda e candomblé hoje viraram lugar de descarrego apenas. As pessoas vão lá apenas para tomar um passe, para se limpar de coisas que na maioria das vezes saem delas mesmas, seus auto-obssessores, seus algozes criados por suas próprias mentes. Tratamos os guias como faxineiros apenas e não como seres que estão a serviço da luz para nos ensinar.
Assim vamos em todas as direções. Vamos a igreja aos domingos comungar, mas falamos mal do mundo e julgamos a tudo e a todos. Vamos ao culto e permitimos que pastores apenas falem do inimigo, vamos aos templos para deixar lá nossas mazelas e as recriamos durante a semana. Terceirizamos a responsabilidade sobre nossas ações e jogamos culpa nos outros por toda energia negativa que nos chega, esquecendo que somos nós quem as atrai. Atraimos o que vibramos, não o que queremos.
As pessoas estão cheias de mimimi, mas, não mudam seus pensamentos, ações, e não lidam com suas emoções.
Está na hora de deixarmos de ser infantis no caminho da espiritualidade, de sermos as eternas vitimas do mundo, na importância enorme que damos a nós mesmos e seguir viagem sendo apenas o que damos conta, parando de achar que o outro tem responsabilidade sobre nossas vidas e mais, que outros possam fazer por nós o que nós mesmos não fazemos.
Crescer, evoluir, buscar o tal Despertar, é em primeiro lugar sair do troninho de merda que criamos diariamente, onde olhamos o mundo de cima e pensamos que estamos sendo observados pelo mundo. O universo pessoas, não gira em torno do nosso umbigo.
Somos responsáveis por todas as coisas que acontecem a nós e se alguém conseguiu atingir você foi porque você abriu a porta. Não se esqueça: A chave da sua porta só você tem e para abrir precisa estar do lado de dentro.
Não dê ao outro o poder que ele NÃO tem sobre você. A não ser claro, que você queira dar esse poder ao outro.
Tudo é um questão de escolha.

Somos breves.
Sejamos mais leves e conscientes!

Rose Kareemi Ponce




Se você tem medo de receber "magia densa" do outro, é porque ainda não entendeu a força que tem.
Só tem poder sobre nós, o que nós acreditamos ter poder sobre nós.
Não tenho medo de magia alheia....
"eu não ando só"

29/01/2018



...Ela resolveu abrir os olhos. Não sabe quanto tempo ficou ali, paralisada no escuro, não sabe exatamente todas as coisas que pensou ou sentiu, apenas que naquele momento, ela precisava abrir os olhos!

Era escuro, mas seus olhos aos poucos iam se acostumando e conseguindo ver as nuances, as sombras, o formato de todas as coisas que estavam a seu redor. Conseguia sentir os cheiros e distingui-los. Havia também o som de águas...eram gotas caindo e água corrente, um cheiro forte, quente e úmido tomava conta do ar.

Ficou em pé. Não tinha idéia de quanto tempo ficou sem colocar seus pés no chão, nem quanto tempo havia ficado ali, imóvel; completamente paralisada, se encolhendo em algum canto.

Quis dar os primeiros passos, as pernas doíam, mas, ela insistiu. O cansaço de ficar parada e o desejo do movimento eram maiores do que a dor, essa ela já conhecia bem e decidiu que não mais a queria.

Apoiando suas mãos na parede úmida, foi caminhando até chegar ao que percebeu ser um riacho, onde matou sua sede com aquela água naturalmente fresca. Ao primeiro gole, sentiu que a vida estava pulsando dentro dela novamente, como há tempos não sentia. Suas pernas ganharam força e assim, seguiu caminhando, percebendo que aos poucos, pontos de luz começavam a brilhar pelas paredes. Eram cristais que ao receberem pequenos raios de luz, iam mostrando suas formas, cores e emanando brilhos coloridos, que preenchiam sua alma de felicidade!

Ela estava viva!

Não importava quanto tempo havia ficado ali, paralisada, sentindo-se pequena e sem forças. Importava que nesse momento houvesse vida pulsando dentro de seu peito e todas as suas células vibravam e bailavam, numa dança cósmica de vida!

Ela estava viva e a cada passo em direção à luz mais forte ela sentia essa sensação. Vida!

Quando então o riacho que guiava com suas águas, ficou de tal forma azul, que quase dava para ouvir as vozes numa linda cantiga, chamando-a banhar-se. Ela então mergulhou e sentiu-se purificada!

Nada mais poderia tirar-lhe esse sentir!

Saiu das águas e continuou a caminhar até que uma grande luz a recebeu. Seus olhos se fecharam, mas, seus pés conseguiram sentir um local macio, um perfume doce tomou conta do ar e então, ela abriu os olhos e pode ver um colorido inebriante de flores que se espalhavam pelo campo e dançavam ao balançar do vento!

Ela estava viva!

Olhou para trás e se curvou diante daquela caverna imensa e escura que a recebeu, acolheu e ensinou durante ela não sabe quanto tempo, mas foi sua gestação...ela acabou de vir à luz da vida e aquela caverna, foi seu útero, sua casa, seu refúgio!

Não havia mais medos, nem angustias. Não havia mais dores em seu peito.

Ela estava viva e saindo da zona de conforto. Seus ossos doíam e seus olhos ainda estavam se acostumando aquela luminosidade, seus pés, reconhecendo novos terrenos!

Ela estava viva!

Tudo o que tinha ficado para traz em sua existência, tudo que havia vivido estavam lá, no escuro da caverna, não mais importava!

Ela estava viva e seguir em frente era o único movimento sensato a ser feito!

As vozes ainda cantavam uma canção serena, como que abençoando sua jornada!

Ela estava viva!

Ela estava grata!



Ela seguiu viagem!




Rose Kareemi Ponce