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15/01/2018




Não sou simpática nem sociável, ao contrário disso. Sou difícil de conviver, não sou dada a muitas amizades e prefiro o silêncio das línguas cansadas ao excesso de fala sem sentido.
Sou meio bicho do mato..adoro as cavernas internas, onde encontro a mim mesma refletida nos espelhos das águas mansas.
Sou caseira, não gosto de som alto nem de bagunça. Amo as estrelas e a lua, mas sou absolutamente solar.
Sou água. Escorro pelas pedras e vãos e não me prendo aos galhos.
Não sou de festas...nem de grandes reuniões..sou da casa tranquila, do livro do bom filme, da fogueira...da paz de espírito..do mate.
Sou abraço apertado e laço de fita.
Sou a força da onça e a delicadeza do vôo do beija flor.
Sou exigente comigo e com quem caminha a meu lado... não trago pra perto quem não tece comigo a teia do viver!

Rose Kareemi Ponce

10/01/2018











Ando "meditado" bastante em meus momentos de silêncio, que tem aumentado, sobre nosso caminhar e algumas vezes tem me chegado algumas certezas, no aqui e agora, como por exemplo: Erramos porque temos pressa. A pressa nos impede de respirar, de parar por instantes antes de falarmos, agirmos e reagirmos. A pressa nos impede de olharmos o mundo ao nosso redor e apreciá-lo, não nos dá tempo a contemplação.
A pressa nos afasta, nos faz tomar atitudes e falar coisas que certamente serão motivo de arrependimento.
Ao darmos um tempo, damos chance à nossas águas decantarem e se tornarem límpidas, antes de as derramarmos, envenenadas, sobre nossos irmãos do caminho.
Estamos vivendo uma angustia coletiva, porque ainda vivemos sob as energias da competição e comparação. Competimos para sermos melhores, somos ensinadas desde nossa infância a isso, a escola é uma das responsáveis, pois os alunos são "medidos por suas notas", competimos entre mulheres por causa de homens, competimos para sermos os melhores na empresa que trabalhamos, nos comparamos uns aos outros, mas queremos respeito a individualidade...onde mora a individualidade numa sociedade pasteurizada e absolutamente moldada?
Somos comandados pela tv que ligamos na sala de nossas casas, presenteamos nossos filhos com jogos violentos, caminhamos dando exemplos que não são positivos. Fazemos festas regadas a alcool mas não queremos que nossos filhos bebam ou se percam em drogas (álcool é uma delas). Exemplo, lembra?
Estamos perdidos olhando no entorno, esquecendo de olharmos para nosso caminhar, para nossas pegadas. Elas são o mapa da nossa história. Qual história estamos escrevendo com nossos passos?
Estamos todos gritando e quase ninguém ouvindo. Todos mergulhados em uma dor coletiva, sem percebermos de onde vem tudo isso: nasce em nós quando damos abertura dentro para nos comparar à outros, a competir com outros e sem dar oportunidade às energias mentais decantarem e chegarem ao coração, para ser nosso guia e matar nossa sede de nós mesmos, na paz e na harmonia de Ser apenas quem somos, como somos e nos entendermos abençoados por nosso individuo somente assim, acolheremos todas as outras histórias ao nosso redor, e teremos mais tempo para contemplar a grande obra que o divino nos deixou como presente!
Salvemos nossas crianças de nós e nós de nós mesmos...sejamos melhores hoje, para recriarmos um mundo melhor para todos!!
Vamos silenciar um pouco.
Vamos "parar" um pouco!
Vamos Ser bem mais!


Somos muito breves!
Sejamos cada vez mais leves!


Rose Kareemi Ponce

05/01/2018






2017......

Morri.
Perdi minha pele, arrancada por saturno. Fiquei nos ossos.
Senti minhas entranhas queimarem. Vazei minhas águas turvas.
Abracei o demônio inúmeras vezes e o agradeci outras tantas. Ele me levou ao inferno onde redescobri sombras esquecidas, dores adormecidas, onde contei em meus ossos, todos os golpes e os remontei esqueleto de mim mesma, numa nova versão.
Falei mais do que precisava e silenciei menos do que gostaria, mas não repetirei esses erros. O silêncio me chama para sua rede tranqüila.
Despedi-me de pessoas que gostaria de ter pela vida afora e trouxe pra perto surpresas incontáveis.
Fui sorteada pela loteria da vida, com presentes humanos de valores incontáveis que guardei no cofre do meu coração, para nunca os perder de vista.
Senti queimar meus preconceitos e fui queimada na fogueira de muitas vaidades, que sequer me conhecem.
Senti arder em brasa o espírito da ancestralidade em minha alma e os gritos de meus antepassados, que chamavam meu nome, incansavelmente: “Filha, esperamos sua volta”!
Encontrei irmãos de tribo e jornada, e desencaixei do sangue da carne. A alma me levou aos lugares que precisei estar.
Tropecei em pedras, duas, três vezes...mas as lições fizeram marcas indeléveis. Tatuaram no livro da minha pele, as marcas do crescimento e os aprendizados vividos.
Honrei pés e jornadas, Mãos e suas bênçãos. Curei maldições.
Senti o fel da bílis queimar o fígado e vomitei toda a raiva que insistia em fazer morada em mim.
Mergulhei fundo na lama das minhas memórias e dores pra renascer lótus, inexoravelmente purificada.
Estendi as mãos em auxilio e recebi flores nos pés.
Gritei muitas vezes sozinha, pedindo socorro aos céus; Os espíritos de luz sempre vieram trazer alento. Nunca estive só, senão por escolha.
Me entreguei em abraços e acolhi muitos braços.
Nadei nas águas da vida, me afoguei de sede. Retornei à tona amparada por um Manto Sagrado de Luz.
Sentei na beira do rio e vi Oxum me banhar. Amor, sei, não irá me faltar.
Pulei sete ondas, talvez mais, e Yemanjá pariu novamente minha alma pra seguir jornada.
Ogum veio e cortou a prepotência na espada da Lei e ensinou sobre a humildade dos pés descalços.
Fui menina, cresci, virei inúmeras mulheres em uma só. Morri.....renasci, bati asas, voei longe.....voltei!
Estou de volta ao início, com mais de trezentas outras novas casas para conhecer....cada dia uma porta se abre, uma janela se volta pro sol, uma estrada é trilhada, um aprendizado colhido, um amor semeado.
Recomeçar, reprogramar, refazer mas, o mais importante é fazer o novo, o que nunca foi feito, desabrochar...FLOR-E-SER!
Gratidão seu lindo, que me chacoalhou tanto, me descascou feito cebola e me trouxe desperta para um novo traçado, um novo mapa e assim, pisar em novos e sagrados territórios!
Fui guerreira e me fiz paz.
Bendito seja o Tempo!
Abençoado seja o Tempo!
Sagrado seja cada Espaço!
Sagrada vida que segue!

Rose Kareemi Ponce

29/12/2017


Abençoadas sejam todas as mulheres e seus úteros, lar de todos os seres que aqui assumem jornada.
Abençoadas sejam todas as vidas, sob todas as formas.
Abençoadas sejam as vozes caladas pela dor, que no canto encontram sanação e espalham sementes de flores pelo mundo.
Abençoados sejam os corpos machucados que na dança desabrocham feito lótus.
Abençoados sejam todos os colos que acolhem os viajantes das noites escuras da alma.
Abençoados sejam todos os braços que abraçam os irmãos, sem perguntar de onde vêm, nem mesmo para onde vão, apenas são bençãos na jornada de cada ser que cruza consigo o caminho.
Abençoados todos os verbos divinos, que são Presença nos corações aflitos dos peregrinos.
Abençoados sejam todos viajantes, que encontram nas estrelas, respostas para o que sequer foi questionado.
Abençoadas sejam as lágrimas de felicidade...e as de tristeza, que lavam as almas.
Abençoadas sejam todas as preces, em todos os caminhos. Há corações em cada um deles.
Abençoado seja.
Eu, tu, eles... NÓS!!


Rose Kareemi Ponce

24/12/2017






Celebrar o Natal....É celebrar a vida sagrada dentro de cada ventre.
É estender as mãos na ajuda e no acolhimento
É abrir os braços e sentir no abraço, o pulsar dos corações unidos em um único ritmo.
É olhar nos olhos e ver as teias que nos unem se desenhando na retina do irmão.
É silenciar a voz e ouvir os sons que a vida traz sem cobrar ingresso. Os cantos dos pássaros anunciando um novo dia.
É sentir gratidão por todas as coisas, inclusive alguns espinhos, que nos mostram que precisamos de atenção na jornada.
Celebrar o Natal é celebrar a vida....é entregar-se a sagrada arte de conviver e fazer da resiliência a maior arma de combate. Tornar vivo o sonho da unidade.
Celebrar o Natal é sair da hipocrisia e se entregar a verdade do coração.
Celebrar o Natal é voltar a ser criança e sentir como elas, a presença do espírito crístico em cada flor e perfume, em cada cor e raio de luz....
É amar ao próximo como a ti mesmo!
Celebrar o Natal é lembrar que Cristo foi gerado e parido por uma Mulher: Maria e que sororidade começa ao honrar esse feminino, afinal Ele só nasceu porque Ela foi quem foi.
Feliz sejam todos os dias de nossas vidas!


Rose Kareemi Ponce