Páginas

24/07/2017






Era inverno mas nela havia um verão querendo pulsar.
O sol a chamava para caminhar, mas o vento frio doía-lhe os ossos...como se contando os golpes do tempo, das estações...
Era inverno e a vida não queria ficar dentro dela, queria brotar qual primavera.
Era inverno e ela apenas queria a vida pulsando...a caverna não mais servia sua alma e ela desejava o mar.....o horizonte precisava novamente ser desenhado a sua frente.
Era inverno e ela apenas queria o brilho do sol nas águas...
Havia um verão em seu interior e o brilho da vida insistia em vir a tona em seus olhos. Ela desafiava o frio querendo ser sol....ela tinha calor e era nutrida com ele por seu consorte, amigo e conselheiro...
Era inverno...e ela queria apenas Ser Sol.


Rose Kareemi Ponce



Uma vez, dois amigos em um velório conversavam e um deles chorava a perda do ente querido que fizera a passagem.
O outro ao ver a dor disse com certa ironia, como a desfiar seu companheiro de prosa: - Pois é, né amigo, nem mesmo o conhecimento nos livra da dor....
O amigo com um olhar sem dúvida alguma responde:
"A dor da perda deve ser vivida, sempre. O conhecimento, esse nos liberta de arrastar o luto eternamente"!


Rose Kareemi Ponce



Durante nossa jornada, muitas vezes, em nossa falsa auto-importância, deixamos de movimentar nossas energias, e acolher os aprendizados, pelo simples fato de ainda estarmos em julgamento do caminho alheio, na culpa por nossas escolhas, no medo pelo futuro e com vergonha do que nossas escolhas nos trazem.
Deixamos de cumprir com nossos contratos sagrados porque antes mesmo de estendermos as mãos para amparar nossos irmãos, estamos observando se há mudanças, se eles merecem nosso esforço e nossa compaixão.
Colocamos "tempo" na vida do outro, no aprendizado do outro, esquecendo-nos mesmo, que nosso aprendizado se estende e se expande infinitamente, assim como é nossa existência. Queremos ter razão em tudo, temos o desejo de controlar até mesmo as coisas mais banais, quando nos dispusemos a fazer algo é para mostrar que fazemos melhor e que de nosso jeito é o certo; não apenas pelo fazer, pelo zelo, pelo desejo do ato, mas do resultado que pode de alguma forma diminuir o outro, nos tornando melhores para o espelho e para nosso ego inflacionado.
Apontamos nosso dedo para o comportamento do outro, simplesmente porque nós temos a certeza de que NOSSO caminho é MELHOR e está MAIS CORRETO.
Ah! tamanha é nossa arrogância, que nos colocamos como exemplo, nos colocamos como fontes de sabedoria e sentados em um trono de certezas infinitas e dedos apontados, olhando o outro como inferior, menor, miserável e incapaz de mudar.
Nós, em nossa franca falta de humildade porque conseguimos mudar pequenos hábitos em nosso caminhar, nos colocamos como juízes do caminhar do outro, ao invés de nos colocamos como IRMÃOS e apenas estarmos presentes para ajudar, acolher, caminhar junto sem julgamentos, sem querer que o outro se comporte como nós nos comportamos, sem querer que o outro pense igual, aja igual, ou seja e resumindo, não querer que todos virem espelhos de nossa incapacidade de lidar com o diferente, com o "tempo" do outro, com o "ser" do outro.
Esquecemo-nos o quanto erramos, o quando caminhamos imperfeitamente, o quando somos pequenos.
Esquecemo-nos que ainda caminhamos em passos cambaleantes, como crianças aprendendo a firmar os pés na terra.
Mas não nos esquecemos de julgar.
Precisamos apenas nos colocar ao lado, amparar quando assim for necessário, dar as mãos se nos for pedido, acolher quando for assim preciso. Ouvir quando nos for solicitado. Chorar junto quando nos comover. Silenciar quando o silêncio solicitar apenas a Presença.
Porque nós também somos amparados, também nos é dada a mão e também somos acolhidos.
Se quisermos caminhar nesse caminho do coração, precisamos aprender e sentir com o coração e a deixar a mente, que mente, do lado de fora. Apenas assim caminharemos conforme nossas palavras, porque simples é falar de não julgar, desafiador é caminhar sem julgamentos!
Que possamos nos colocar na humildade e compreender que cada um tem seu próprio tempo de mudanças, conforme o quanto está encrustado as "deficiencias", os credos e os medos.
Que possamos lembrar que ainda estamos em aprendizado também e pra toda eternidade, e que nesse caminhar, muitos foram os que chegaram para o amparo, mas quão dolorido foi, quando ao invés de ajudar, pessoas se aproximavam para criticar, julgar e apontar dedos.
Tiremos esses óculos que observa o mundo pelo prisma da arrogância, prepotência e auto-importância e vejamos o mundo de forma simples, como sementes esperando uma terra fértil para florescer!
É tão efêmera a vida, qual a necessidade de controle e razão, senão o famigerado ego querendo se fortalecer e não permitir que apenas sigamos o rio da vida. Fluindo.
O livro de nossas vidas é escrito a cada escolha, esquina virada, sentimento, pensamento...é colorido com as cores de nossas emoções e a tinta; não apagamos a história de nossas escolhas, mas podemos as resignificar e aprender a escolher antes do primeiro traço. Com consciência tornaremos nosso livro, um explosão mágica de aprendizados, cores, sutilezas...
Somos neste plano, os guardiões da palavra. Aqueles que guardam a sabedoria através da oralidade e sendo assim o verbo se faz sagrado. Tenhamos responsabilidades para com esse mistério pois a sabedoria é passada através dele. E somente ao honrá-lo poderemos abrir outros mistérios através de nós.
Que possamos efetivamente nos colocar como instrumentos do Grande Espírito e da Grande Mãe para que possamos compreender que, se alguém chegou e nos incomodou, é porque precisamos aprender com ela a olhar bem fundo de nós mesmos.
Sejamos um agente da mudança, nunca de julgamento.
SOMOS ESPELHOS e se não aprendermos pelo AMOR, aprenderemos pela DOR... até nos rendermos ao fluxo dessa bela vida!

Rose Kareemi Ponce







Sou felina...
Caminho por entre as folhas e sombras,
a luz guia minha jornada.
Observo sem ser observada,
o silêncio me ensinou assim
De um salto estou salva
Dos que buscam me atingir
O sol me acolhe nos galhos
Nas altas Senhoras do Povo em Pé.
Sou felina
Onça brava
Não use vara curta
Não ouse proximidade
Sem que minha felinidade
Dê permissão pra se achegar.


Rose Kareemi Ponce

A cura do feminino nasce da empatia e da não competição entre as mulheres.
Sororidade na prática.
Rose Kareemi Ponce




A anciã que floresce em mim canta a vida com a alegria do beija-flor, presença divina!!
Há uma longa estrada atrás... há uma imensidão de conhecimento, há um mapa desenhado, há pegadas da minha história. Marcas de mim no caminho e do caminho em mim.
Sigo.
Há estrada a frente esperando meus pés para traçar rota e seguir a estrela do norte.
A bússola que sigo é apontada pelos batimentos do meu coração.
Canta beija flor...
Encanta a alma que habita esse corpo, Encantado com a vida que habita o Todo!


Rose Kareem Ponce

arte: Frank Howel

21/07/2017




Por esses dias andei meio acabrunhada, pensando sobre a vida e percebi que quanto mais pensamos nos problemas dela, mais perdemos o que chamamos de entusiasmo.

Quanto mais nos ligamos às partes sombrias de nós mesmos e dos que nos rodeiam, trazendo para dentro de nós, de nossos corações e almas, o descartável alheio, mais nos esvaziamos de nós e nos perdemos na estrada que deveria ser celebrada como jornada, mas ao observarmos apenas o externo, nos perdemos e começamos a sentir que essa caminhada chamada vida é castigo, punição ou purificação de pecados.

E não adianta de nada pensarmos que teremos outras vidas, pois quem estamos, é no aqui e agora, na próxima encarnação não sabemos e na anterior, não importa pelo mesmo motivo, essa passagem não existe mais.

Quem somos ou o que faremos depende do entusiasmo que temos pela vida que levamos e/ou construímos a cada escolha, em cada bifurcação que encontramos e nas quais necessitamos decidir para onde iremos, o que plantaremos e ter consciência do que colheremos, pois essa última etapa independe de nossa aceitação, ela não é facultativa. Colheremos exatamente as sementes que espalharmos pelos caminhos que trilharmos.

Entusiasmo.

Essa palavra me preencheu.

Ter a necessidade do sol, da luz, do calor.

Ter a necessidade da gratidão.

Ter a necessidade do sorriso e da alegria.

Ter a necessidade do vento, da chuva e de mergulhar nas águas.

Preencher-se.

Então compreendi profundamente o significado da palavra o do sentimento Entusiasmo.

Palavra antiga, de origem grega, que era designada às pessoas que caíam em profundo êxtase divino, como os oráculos Delfos...as pessoas eram possuídas por uma energia divina e traziam à tona mistérios e os revelavam. Enthousiasmos vem de duas palavras: en e theos. En significa dentro. Theos significa deus. Assim, enthousiasmos significava literalmente ter um deus dentro de si.

Quando ao caminharmos por essas paragens terrenas e nos mantivermos dentro do nosso caminho pessoal e acima de tudo, sendo fiel ao próprio coração manteremos em nós o Entusiasmo, porque manteremos vivo um deus dentro de nós e isso ninguém abala ou nos rouba.

Preencher-se de sol luz e calor.

Preencher-se de gratidão.

Preencher-se de vento, chuva e mergulhas nas águas.



Sentir-se pleno de si. Tendo um deus dentro.

Entusiasmo.

Olhando pra dentro e dando cada vez menos importância ou satisfação fora.

En=dentro.

Theos=deus.

Está tudo dentro.

Somos a imagem e semelhança.





Rose

19/07/2017



Divina Mãe

Nesse momento de minha vida não tenho muito que doar, mas tenho uma flor colhida ali no jardim de casa, cuidado muitas vezes com as lágrimas que caem de meu rosto ao saber do sofrimento de meus irmãos.

Venho humildemente pedir-te, já que podes ver que caminho descalça meu vestido poido mal me veste, mal cobre meu corpo já cansado de caminhar por este mundo! Mas tomo mesmo assim o direito de rezar em minhas mãos, como toda rezadeira o faz, de joelhos, em prol de todos os caminham por sobre este planeta.

Divina Mãe olhe por nós, os que matam e justificam sua ação por sobre leis (dês) humanas que calibra a vida pelos vis metais que existem em seus bolsos.

Olhe por nós os esquecidos da compaixão e que passamos por sobre os corpos endurecidos pela dor, fome e frio, nas ruas e nos becos.

Olhe por nós os perdidos, que se esquecem do caminho da luz e do amor, mas que ensinam como ser prósperos na matéria, tão fugaz quanto à folha após cair do galho.

Olhe por nós os desesperançados. Que carrega nos braços a criança que volta a sentir fome e a mãe de ventre largo pelo rebento prestes a nascer e sem futuro digno.

Olhe por nós os humilhados. Pela fé, pela cor, pela raça, pelo preço marcado nas etiquetas dos mercados de gente.

Olhe por nós os que choram, para que nossa lágrima seja a gota de medicina que cai na ferida que necessita de cura.

Olhe por nós os que buscam, para que as sombras se abram e permitam penetrar a luz do acolhimento e do aprendizado em nossos corações.

Olhe por nós os que se curvam, para que a humildade de servir o irmão de jornada não se perca na arrogância, prepotência, ignorância e excessos de nossas mentes ainda adoentadas em mundo repleto de dor e ganância.

Olhe por nós e nos auxilie na cura de nós mesmos, para que não sejamos a doença em outras almas.





Rose Kareemi Ponce

(conto de uma velha benzedeira)

07/07/2017





Estamos perdendo tempo

Tenho prestado atenção nos movimentos que nós somos e causamos a partir das frequencias que emanamos e o que mais tenho notado é nossa perda de tempo!
Perdemos tempo nos justificando para o outro, como se devêssemos desculpas por nossas escolhas, por nossas opiniões, por nossos posicionamentos, enfim nos justificamos como se pedíssemos desculpas por ser quem somos.
Perdemos tempo julgando. Julgamos as mesas coisas pelas quais nos justificamos e caímos na roda, comendo nosso próprio rabo. Julgamos as escolhas alheias, as opiniões, posicionamentos, enfim julgamos os outros como se nos devessem desculpas por serem quem são.
Perdemos tempo numa incessante busca por cifras, pois acreditamos que elas nos tornam serem com valor, ao invés de notarmos que começamos a ter preço.
Perdemos tempo quando deixamos de lado nossos sonhos e colocamos a culpa nos dias...afinal é um dia a menos na vida e ao invés de usarmos esse dia de forma consciente, pois”é” um dia a menos...perdemos tempo falando mal das pessoas, sendo a pedra nos sapatos delas, sendo útil apenas para o mal estar dos irmãos de jornada, usando de nosso precioso “dia a menos” sendo algo de ruim na vida do outro e conseqüentemente, na nossa própria.
Perdemos tempo ao não sermos uteis na caminhada de ao menos uma pessoa em nossas vidas e colocamos a culpa nos dias...afinal é um dia a mais e isso sempre acontece..”sempre” despertamos pelas manhãs e ao invés de aproveitar a benção do “despertar” e ter uma nova oportunidade de melhorar a nós mesmos e ver o mundo por um novo prisma... perdemos tempo falando mal das pessoas, sendo a pedra nos sapatos delas, sendo útil apenas para o mal estar dos irmãos de jornada, usando de nosso precioso “dia a menos” sendo algo de ruim na vida do outro e conseqüentemente, na nossa própria.
Perdemos tempo vivendo as dores e amores de um passado que não existe ao invés de ficarmos apenas com as lições que ele nos trouxe.
Perdemos tempo sonhando com um futuro que não nasceu e que deveria estar sendo tecido neste momento...
Perdemos tempo esquecendo que o único tempo que tempos é o tempo do aqui e agora e todo o restante está sendo esquecido entre um “tempo e outro”..
Perdemos tempo não amando!
Perdemos tempo não estendo as mãos.
Perdemos tempo deixando de ser quem somos para agradar os outros e queremos que os outros façam o mesmo conosco...mas não admitimos isso e por isso, exatamente por isso não mudamos e perdemos tempo.
Perdemos tempo....deixamos ele escorrer por entre nossos dedos, enquanto observamos e julgamos a vida alheia e vamos perdendo também todos os que colocamos na berlinda de nossas línguas feridas e corações endurecidos. Pela falta de tempo, de amparo, de atenção, de acolhimento...de NÓS.


Rose Kareemi Ponce

06/07/2017



Quem sou?
Não sei. Não me imponho limites. Não coloco muros e delimito fronteiras. Sigo apenas....sendo.....aprendendo, vivendo.
O resto são formas de molduras as quais não me adéquo, padrões aos quais não me enquadro e expectativas que não tenho a menor responsabilidade em suprir.
Não visto máscaras.